quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Caio Fernando Abreu - Lixo e Purpurina


"Depois de todas as tempestades

e naufrágios, o que fica em mim é cada vez mais

essencial e verdadeiro"

domingo, 7 de dezembro de 2008

Pense Nisso:

Fala-se tanto da necessidade de deixar
"um planeta melhor para os nossos filhos",
e esquece-se da urgência de deixarmos
"filhos melhores(educados, compassivos, responsáveis)
para o nosso planeta"..."
(autor desconhecido)

Airton Porto/ Parque Nacional Serra da Capivara - S. Rdo. Nonato - Piauí

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Das Vantagens de Ser Bobo - Clarice Lispector (12/09/1970)


"Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os

espertos não conseguem passar por bobos.

- Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham vida.

- Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

- Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita o ser bobo. Ah,quantos perdem por não nascer em Minas!

- Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cimas das casas.

- É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o

bobo é capaz de excesso de amor.
E só o amor faz o bobo."

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Um Fragmento Vale Mais Que Um Milhão de Palavras

"...Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa."

Clarice Lispector

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A GENIALIDADE POÉTICA DE MANOEL DE BARROS

"Bernardo é quase árvore.
Silêncio dele é tão alto que os passarinhos ouvem
de longe.
E vêm pousar em seu ombro.
Seu olho renova as tardes.
Guarda num velho baú seus instrumentos
de trabalho:
1 abridor de amanhecer
1 prego que farfalha
1 encolhedor de rios — e
1 esticador de horizontes.
(Bernardo consegue esticar o horizonte usando três
fios de teias de aranha. A coisa fica bem esticada.)
Bernardo desregula a natureza:
Seu olho aumenta o poente.
(Pode um homem enriquecer a natureza com a sua
incompletude?)"

Manoel de Barros
In:"O livro das ignorãças"

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Um Sopro de Vida - Clarice Lispector







[...]Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída. [...]


Fonte: Um sopro de vida - pulsações. São Paulo: Rocco, 1999.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

ITAMAR ASSUMPÇÃO

Fragmentos Vários:

"É preciso estar escuro pra eu poder dormir em paz.
Mas em mim há uma luz que não sei como apagar!"

"Cansei de ouvir abobrinhas
Vou consultar escarolas
Prefiro escutar salsinhas
Pedir socorro às papoulas
E as carambolas"

"Eu vou tirar você de letra nem que tenha que inventar outra gramática"

"Já tive muitos critérios, hoje só vários delírios"

"De tanto não poder dizer/
meus olhos deram de falar"

"Já que você não merece, devolva minhas preces
meu canto, meu amor, meu tempo, por favor e minha alegria que,
naquele dia, só te emprestei por uns dias e é tudo que me pertence
PS: já que você foi embora porque não desaparece?"

UMA DIDÁTICA DA INVENÇÃO


"Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:


a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca
b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios."


O Livro das Ignorãças - Manoel de Barros

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Itamar Assumpção (Apaixonite Aguda)

"Quando estou longe, longe / quero ficar perto
Quando estou perto, perto / quero ficar dentro
Quando estou dentro, dentro / quero ficar mudo
Quando estou mudo, mudo / quero dizer tudo"
(Apaixonite aguda - Pretobrás)

domingo, 14 de setembro de 2008

Música de Bolso - Arnaldo Antunes - Volte Para o Seu Lar

Adorei este projeto Música de Bolso e dedico este vídeos a todos os exilados ou refugiados do que chamo de "nosso lar". Um dia ainda volto pra minha casa...ou melhor, voltaremos para casa.

sábado, 13 de setembro de 2008

QUANDO OUTUBRO ACENDIA OS FORNOS DA TARDE ( H DOBAL)


"Quando outubro acendia os fornos da tarde
Na paisagem consumida pelos fogos do verão.
Vencido pelas condições do tempo
O homem renovava esperança no seu coração:
O sonho no céu que se faz bonito,
Uma promessa de chuva."
  • Presente da amiga Tânia Martins que está fazendo um trabalho sobre o poeta H. Dobal. Nada mais oportuno nesse "b-r-o-bró" em que não só nossas tardes, mas parte das noites ficam com todos os seus fornos acendidos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Não resisti postar esta foto linda do meu filho Gabriel brincando descontraidamente, enquanto à sua frente, acontecia um lindo por do sol na nossa praia Pedra do Sal (Parnaíba-PI).

Este é um dos motivos da minha incessante vontade de voltar para casa...

LEILÃO DE JARDIM (Cecília Meireles)
Quem me compra um jardim
com flores?
borboletas de muitas
cores,
lavadeiras e
passarinhos,
ovos verdes e azuis
nos ninhos?
Quem me compra este
caracol?
Quem me compra um raio
de sol?
Um lagarto entre o muro
e a hera,
Uma estátua da
Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo que é
jardineiro?
E a cigarra e a sua
canção?
E o grilinho dentro
do chão?
(Este é o meu leilão!)
P.S. Estávamos deitados na cama, quando o Gabo começou a recitar essa poesia. Foi uma imensa surpresa, ele decorou com ajuda da sua professora Aline que também adora poesias. Não preciso falar do quanto isso me emocionou, com certeza o gosto por poesia foi passado pelo DNA.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Adorei o bom humor do Mário Lago nesta frase:

"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra".

É SÉRIO: BOM HUMOR FAZ BEM À SAÚDE

Encontrei esta matéria em um número antigo da revista Bons Fluídos e agora divido com vocês. A reportagem começa assim: "O que uma exuberante gargalhada contém? A ciência quis saber. Nessa empreitada, primeiro percebeu e depois comprovou que o riso não só transmite alegria de pessoa para pessoa como também melhora a saúde delas.
Os pesquisadores verificaram que a ativação de uma determinada região do cérebro associada a emoções negativas enfraquece a imunidade dos pacientes. Quem é mais triste apresenta uma atividade maior na parte frontal direita do córtex cerebral. Isso mexe com os neurotransmissores, as substâncias produzidas e liberadas alí, reduz a produção de células de defesa do organismo. Em contrapartida, pessoas que tendem a olhar o lado positivo das coisas, nas quais o lado esquerdo do cérebro fica mais ativado, apresenta uma melhora na capacidade imunológica.
Ao reafirmar a importância das emoções e dos pensamentos positivos para a saúde, as pesquisas assinalam que brincar, rir e não se levar tão a sério é absolutamente desejável "Ser bem-humorado significa perceber que a maior parte das situações que vivemos não é nem muito importante, nem muito séria, nem muito grave" , define Sílvia Cardoso, neurocientista da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), que estuda seus efeitos.

MOTIVOS PARA SORRIR
Para Cultivar Seu Senso de Humor:

- Liste as coisas de que você mais gosta e considere seriamente a possibilidade de colocá-la em prática.
- Lembre do que você fazia com prazer na infância. O que fazia ficar horas absorto? Ler, olhar as estrelas, assistir um jogo...
- Perceba as atividades divertidas que pratica durante o dia. Jantar fora com um amigo, fazer amor, brincar com o cachorro, cozinhar. Observe como a alegria custa pouco.
- Tudo tem sua parte divertida e outra nem tanto. Só não deixe o que é divertido ficar escondido.
- Brincar é tão natural quanto respirar, sentir, pensar. Autorize-se.
- Tente caminhar por uma quarteirão observando quantos sorrisos encontra pela frente. Depois, faça o mesmo percurso sorrindo e comprove que rir é contagioso.
Quem tiver outras sugestões divida com a gente.

Quem quiser ler a matéria na integra: Revista Corpo & Emoção - Uma seleção de reportagens de Bons Fluidos da Editora Abril.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008


LEMBRETE

"Se procurar bem você acaba encontrando.

Não a explicação (duvidosa) da vida,

Mas a poesia (inexplicável) da vida. "

Carlos Drummond

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Um Obrigada Muito Especial


No momento mais dramático da minha vida fui agraciada por Deus com os cuidados e competência do melhor médico do mundo.
Dr. Benjamim Vale, hoje comemoro a vida com a certeza que tudo isso só foi possível graças à sua dedicação. Dei muito trabalho, mas você nunca desistiu de mim.
Obrigada pela vida e por todos os conselhos e sabedorias. Obrigada para sempre!
Posted by Picasa

Eu Voltei !!!!!

Estou há quase dois meses afastada do blog, minha última postagem foi 21 de junho e por pouco não se tornou a última.
Dia 24 de junho recebi o diagnóstico à queima-roupa de uma incessante dor no rosto, que de tão forte e pulsante parecia uma nevralgia: Era um aneurisma e já estava sangrando.
Aproveito este espaço para além de explicar meu sumiço, também divulgar uma doença que apesar de contar com altas estatísticas de ocorrência, não existe por parte dos órgãos oficiais de saúde nenhuma campanha informativa à seu respeito.
A informação é de suma importância para que as pessoas possam reconhecer esses sintomas e a tempo procurar ajuda. Na verdade, comecei a sentir os sintomas numa quinta-feira à noite, como uma dor muito forte na cabeça, seguida de vômitos, dor na nuca, região lombar e pernas, descontrole total da urina. Procurei um Pronto Socorro no dia seguinte e foi diagnosticado como enxaqueca acompanhada de desidratação e após a prescrição de dois soros e analgésicos fui mandada para casa. Como a dor persistiu nos dias seguintes procurei na segunda-feira um otorrino que solicitou uma tomografia do crânio e após resultado na terça-feira, exatamente cinco dias após o acontecido é que fui ter o diagnóstico em mãos e o seguinte conselho do médico: Procure um hospital imediatamente, a senhora está com um aneurisma e ele já sangrou!
Recebi a notícia com certa calma e me encaminhei para o hospital São Marcos. Permaneci trinta dias no hospital, sendo que na UTI fiquei por vinte e um dias, lá passei por alguns momentos preocupantes como duas convulsões e outros eventos como o problema com o sódio que o organismo parou de produzir e o tempo que fiquei sem os movimentos do lado direito.
Destaco como decisivos na minha recuperação todo o empenho da equipe médica liderada pelo Dr. Benjamim e a participação de amigos e familiares que se uniram em oração para pedir a Deus pela minha recuperação.
No dia da minha alta foi um dos dias mais felizes da minha vida. Sentia como se estivesse nascida adulta, já trazendo comigo uma historia de vida, cheia de amigos torcendo por mim. E agora com a obrigação de fazer uma historia diferente, afinal estou na prorrogação e esse sentimento de tempo suplementar faz a gente dá valor para as coisas que realmente têm valor. Cecília Meireles em Reinvenção diz com muita ciência: "porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada".

sábado, 21 de junho de 2008

"A poesia está guardada nas palavras - é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não entender quase tudo.
Prepondero a sandeu.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não cultivo conexões com o real.
Para mim, poderoso não é aquele que descobre ouro,
Poderoso para mim é aquele que descobre as insignificâncias:(do mundo e nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei muito emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios."

Manoel de Barros In:"O Encantador de palavras"
"Deus disse: vou ajeitar a você um dom:
Vou pertencer você para uma árvore.
E pertenceu-me.
Escuto o perfume dos rios.
Sei que a voz das águas tem sotaque azul.
Sei botar cílio nos silêncios.
Para encontrar o azul eu uso pássaros.
Só não desejo cair em sensatez.
Não quero a boa razão das coisas.
Quero o feitiço das palavras."
Manoel de Barros

segunda-feira, 16 de junho de 2008


"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.Que tem que ser vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata." C.L.
Foto:Jördis

sábado, 14 de junho de 2008

Presente da amiga Tânia Martins que divido agora com todos vocês: Uma das suas poesias preferidas do H. Dobal

Cantiga de Viver

Sozinho na cama
Um homem espera sua hora.
A inesperada hora de tantos.

A vida é uma cantiga triste
Mais triste e à-toa que a das andorinhas
-Las oscuras golondrinas
Tão mal vivida
Tão mal ferida
Tão mal cumprida.

A vida é uma cantiga alegre:
O primeiro sorriso de cada filho
E todos os microamores
Que inutilizam
A vitória da morte.
H.Dobal

Azulejos com frases de Sêneca(filósofo cordobés), se encontram situados nos bancos dos jardins de Los Patos de Córdoba. Fotos de Charly

terça-feira, 10 de junho de 2008

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Só Peço a Deus - Mercedes Sosa e Beth Carvalho

Comovente e tocante slide recebido da minha amiga Norma Ramos

com música cantada por Mercedes Sosa

e Beth Carvalho e no final mensagem de Gandhi.

"Solo le pido a Dios

Que el dolor no me sea indiferente,

Que la reseca

Muerta no me encuentre

Vacia y sola sin haber hecho lo suficiente."

video

domingo, 1 de junho de 2008

O Bem do Mar - Pedra do Sal - Parnaíba - Piauí

O pescador tem dois amor
Um bem na terra, um bem no mar
O bem de terra é aquela que fica
Na beira da praia quando a gente sai
O bem de terra é aquela que chora
Mas faz que não chora quando a gente sai
O bem do mar é o mar, é o mar
Que carrega com a gente
Pra gente pescar
Dorival Caymmi

sábado, 31 de maio de 2008


19 Anos de Ausência do Leminski

Em 07.06 fará 19 anos que o poeta curitibano Paulo Leminski se ausentou desse planeta. Mas continua mais vivo do que nunca! Cultuado por várias gerações, inclusive as que nem chegaram a conhece-lo.
Suas poesias possuem uma lógica inconfundível. Embora bastante livre, possui um ritmo delicioso, que chega a ser musical. Tudo rima nas suas poesias, principalmente suas idéias, sempre surpreendentes. Moderna e única, sua obra possui uma inteligência brilhante, um estilo que só Leminski é capaz de criar.
Vou postar algumas poesias que eu adoro e espero que os leitores do blog também incluam as suas preferidas. Essa é a melhor homengem que um poeta pode receber: Sua imortalidade através da divulgação de seu trabalho. Permitir a outras gerações a oportunidade de conhecer sua obra.
Epitáfio para alma

aqui jaz um artista
mestre em
desastres
viver com a intensidade da arte
levou-o ao infarte deus
tenha
pena dos seus disfarces
Paulo Leminski

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A Despedida Eterna - H Dobal

"Só mesmo um poeta ecumênico como Dobal podia fixar a sua
província com expressão tão
exata, a um tempo
tão fresca e tão seca, despojada
de quaisquer sentimentalidades,
mas rica do sentimento
profundo, visceral da terra."
Manuel Bandeira


Quando morre um poeta? Um poeta nunca morre!
Um poeta se petrifica em sua obra
no instante que os lemos, recitamos, sonhamos...
Neste momento Dobal vive em seus versos
em A Eterna Despedia.


Quando a sombra cai sobre as cousas resignadas,
Quando a sombra cai sobre os telhados encardidos,
Quando a sombra cai sobre as águas turvas do crepúsculo.


Não é a sombra em outra sombra se virando,
mas é a eterna despedida.
H Dobal

domingo, 18 de maio de 2008

Mario Quintana - Poesias

Diziam os amigos mais íntimos, que Mario Quintana era o poeta das coisas simples e fazia pouco caso em relação à crítica. Conforme costumava comentar, sua poesia era feita simplesmente por sentir necessidade de escrever.
Em 1928 ingressou no jornal O Estado do Rio Grande. Após ter participado da Revolução de 1930, mudou-se para o Rio de Janeiro, retornando em 1936 para a Livraria do Globo, em Porto Alegre, onde trabalhou sob a direção de Erico Verissimo.
Dentre suas obras traduzidas, destacamos: Lin Yutang, Charles Morgan, Maupassant, Proust, Rosamond Lehman, Voltaire, Virginia Woolf, Papini, . Em sua poesia há um constante travo de pessimismo e muito de ternura por um mundo que, parece, lhe é adverso.

BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,enfim,tem de ser bem devagarinho,
Amada,que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

DO AMOROSO ESQUECIMENTO
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

POEMINHA SENTIMENTAL
O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.

Aforismos,pensamentos & verdades de Mário Quintana

Mário Quintana, nas palavras de Fausto Cunha "soube manter-se fiel ao seu gênio poético, à sua vocação lírica, quando tantos em torno dele se esgotavam em caminhos equivocados". E poetando suas emoções, seus sentimentos, ele faz de si um espelho do mundo que o cerca, não raro abrindo mão de sua face dita angelical para refletir imagens da vida com fina ironia e, às vezes, com ácido sarcasmo.
Do Caderno H

A Arte de Ler
O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.
A Carta
Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.
A Coisa
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.
As Indagações
A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas.
A Voz
Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.
Ars Longa
Um poema só termina por acidente de publicação ou de morte do autor.
Arte Poética
Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.
Biografia
Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.
Cartaz para uma feira do livro
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.
Citação
De um autor inglês do saudoso século XIX: "O verdadeiro gentleman compra sempre três exemplares de cada livro: um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente."
Citação 2
E melhor se poderia dizer dos poetas o que disse dos ventos Machado de Assis: "A dispersão não lhes tira a unidade, nem a inquietude a constância."
Contradições
... mas o que eles não sabem levar em conta é que o poeta é uma criatura essencialmente dramática, isto é, contraditória, isto é, verdadeira.E por isso, é que o bom de escrever teatro é que se pode dizer, como toda a sinceridade, as coisas mais opostas.Sim, um autor que nunca se contradiz deve estar mentindo.
Cuidado
A poesia não se entrega a quem a define.
Das Escolas
Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.
Destino Atroz
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.
Do Estilo
O estilo é uma dificuldade de expressão.
Dos Leitores
Há leitores que acham bom o que a gente escreve. Há outros que sempre acham que poderia ser melhor. Mas, na verdade, até hoje não pude saber qual das duas espécies irrita mais.
Dos Livros
Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores.
Dupla Delícia
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.
Educação
O mais difícil, mesmo, é a arte de desler.
Fatalidade
O que mais enfurece o vento são esses poetas invertebrados que o fazem rimar com lamento.
Feira de Livro
O que os poetas escrevem agrada ao espírito, embeleza a cútis e prolonga a existência.
Leitura
Se é proibido escrever nos monumentos, também deveria haver uma lei que proibisse escrever sobre Shakespeare e Camões.
Leitura 2
Livro bom, mesmo, é aquele de que às vezes interrompemos a leitura para seguir — até onde? — uma entrelinha... Leitura interrompida? Não. Esta é a verdadeira leitura continuada.
Leituras
— Você ainda não leu O Significado do Significado? Não? Assim você nunca fica em dia.
— Mas eu estou só esperando que apareça. O Significado do Significado do Significado.
Leituras 2
Não, não te recomendo a leitura de Joaquim Manuel de Macedo ou de José de Alencar . Que idéia foi essa do teu professor?Para que havias tu de os ler, se tua avozinha já os leu? E todas as lágrimas que ela chorou, quando era moça como tu, pelos amores de Ceci e da Moreninha, ficaram fazendo parte do teu ser, para sempre.Como vês, minha filha, a hereditariedade nos poupa muito trabalho.
Lógica & Linguagem
Alguém já se lembrou de fazer um estudo sobre a estatística dos provérbios? Este, por exemplo: "Quem cospe para o céu, na cara lhe cai". Tal desarranjo sintático faria a antiga análise lógica perder de súbito a razão.
O Assunto
E nunca me perguntes o assunto de um poema: um poema sempre fala de outra coisa.
O Poema
O poema essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face.
O Trágico Dilema
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro.
Palavra Escrita
Por vezes, quando estou escrevendo este cadernos, tenho um medo idiota de que saiam póstumos. Mas haverá coisa escrita que não seja póstuma? Tudo que sai impresso é epitáfio.
Poema
Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos...
Poesia & Lenço
E essa que enxugam as lágrimas em nossos poemas com defluxos em lenços... Oh! tenham paciência, velhinhas... A poesia não é uma coisa idiota: a poesia é uma coisa louca!
Poesia & Peito
Qual Ioga, qual nada! A melhor ginástica respiratória que existe é a leitura, em voz alta, dos Lusíadas.
Refinamentos
Escrever o palavrão pelo palavrão é a modalidade atual da antiga arte pela arte.
Ressalva
Poesia não é a gente tentar em vão trepar pelas paredes, como se vê em tanto louco aí: poesia é trepar mesmo pelas paredes.
Sinônimos
Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor.
Sonho
Um poema que ao lê-lo, nem sentirias que ele já estivesse escrito, mas que fosse brotando, no mesmo instante, de teu próprio coração.
Tempo
Coisa que acaba de deixar a querida leitora um pouco mais velha ao chegar ao fim desta linha.
Veneração
Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos.
Vida
Só a poesia possui as coisas vivas. O resto é necropsia.

*Pensamentos extraídos do livro "Do Caderno H", Editora Globo - Porto Alegre, 1973, págs. diversas.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Seis ou Treze Coisas que Aprendi Sozinho

"O Guardador de Águas",Ed. Civilização Brasileira.


Gravata de urubu não tem cor.
Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce.
Luar em cima de casa exorta cachorro.
Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam.
Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes.
Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.
No osso da fala dos loucos têm lírios.
Tem 4 teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga.
Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.
Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.
Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.
Uma chuva é íntima
Se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas;
Se aparecem besouros nas folhagens;
Se as lagartixas se fixam nos espelhos;
Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores;
E o escuro se umedeça em nosso corpo.
Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a
lesma deixa risquinhos líquidos...
A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre aspalavras
Neste coito com letras!
Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se
Na avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesma
escorre. . .Ela fode a pedra.
Ela precisa desse deserto para viver.
Que a palavra parede não seja símbolo
de obstáculos à liberdadenem de desejos reprimidos
nem de proibições na infância,etc.
(essas coisas que acham os
reveladores de arcanos mentais)Não.
Parede que me seduz é de tijolo, adobe
preposto ao abdomen de uma casa.
Eu tenho um gosto rasteiro de
ir por reentrâncias
baixar em rachaduras de paredes
por frinchas, por gretas - com lascívia de hera.
Sobre o tijolo ser um lábio cego.
Tal um verme que iluminasse.
12Seu França não presta pra nada
-Só pra tocar violão.
De beber água no chapéu
as formigas já sabem quem ele é.
Não presta pra nada.
Mesmo que dizer:
- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.
Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.
De ser o nada desenvolvido.
E disse que o artista tem origem nesse ato suicida.
13Lugar em que há decadência.
Em que as casas começam a morrer e são habitadas por
morcegos.Em que os capins lhes entram,
aos homens, casas portas
a dentro.
Em que os capins lhes subam pernas acima, seres a
dentro.
Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros.
Terrenos sitiados pelo abandono,
apropriados à indigência.
Onde os homens terão a força da indigência.
E as ruínas darão frutos

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Mil vezes lindo!

..."E, quando notou que aceitava em pleno o amor,
sua alegria foi tão grande que
o coração lhe batia por todo o corpo,

parecia-lhe que mil corações batiam-lhe
nas profundezas de sua pessoa.

Um direito-de-ser tomou-a,
como se ela tivesse acabado de chorar
ao nascer."(Clarice Lispector)

video

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Exercícios de Ser Criança

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele para
mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos
A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que
do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar
água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça, monge
ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando
ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!


Manoel de Barros ganhou dois prêmios em 1996 relativos ao livro Exercícios de Ser Criança: Prêmio Odilo Costa Filho - Fundação do Livro Infanto Juvenil e Prêmio da Academia Brasileira de Letras.
P.S. Acho que amo tanto assim o Manoel, porque só ele consegue resgatar a menininha que eu fui: fantasiosa, falante e - como talvez ele diria- muito inventadeira de estórias.

domingo, 6 de abril de 2008

Livro Sobre o Nada

Fragmentos:

"Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.

Tudo que não invento é falso.

Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.

Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.

Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.

Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.

A inércia é o meu ato principal.

Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.

O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.

A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.

Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.

Por pudor sou impuro.

Não preciso do fim para chegar.

De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra — Como um lápis numa península.

Do lugar onde estou já fui embora."
Como não se apaixonar perdidamente? O Manoel é surpeendente e totalmente subversivo em todos os sentidos: linguísticos e amorosos.

Manoel de Barros

Tenho postado alguns fragmentos do extraordinário Manoel de Barros, que para mim e outros tantos, é um dos maiores poetas brasileiros. O conheci alguns anos atrás em entrevista a Caros Amigos. Foi uma paixão à primeira lida.

Manoel, poeta e fazendeiro mato-grossense, nasceu em 1916 e teve seu primeiro livro publicado em 1937 - Poemas concebidos sem pecado. Passou a ser mais conhecido a partir do ano de 1997, quando ganhou o prêmio Nestlé de Literatura. De seu "Livro sobre Nada", Editora Record - Rio de Janeiro,1997

A linguagem do Manoel é absurdamente simples, poética e inesperada. E simplicidade não é algo fácil, é um exercício complexo de desapego de vaidades ou como ele mesmo em entrevista ao jornalista Bosco Martins para Caros Amigos definiu tão bem: “Tudo o que eu aprendera até meus noventa anos era nada; meus conhecimentos eram sensoriais. O que aprendi em livros depois não acrescentou sabedoria, acrescentou informações. O que sei e o que uso para a poesia vem de minhas percepções infantis”. Outra frase sua que adoro, diz: “desaprender oito horas por dia ensina os princípios..”( Livro das ingnorãças)

sábado, 29 de março de 2008

Fragmentos de um planeta chamado Clarice Lispector


"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."


“O que sinto eu não ajo. O que ajo não penso. O que penso não sinto. Do que sei sou ignorante. ...A vida é uma missão secreta, tão secreta é a verdadeira vida que nem à mim, que morro dela, me pode ser confiada a senha, morro sem saber de quê. E o segredo é tal que, somente se a missão chegar a se cumprir é que, por um relance, percebo que nasci incumbida - toda vida é uma missão secreta. Do que sinto não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse.”


"Gosto dos venenos mais lentos!Das bebidas mais fortes! Das drogas mais poderosas!Dos cafés mais amargos! Tenho um apetite voraz. E os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí? Eu adoro voar!"


"Algo está sempre por acontecer. O imprevisto improvisado e fatal me fascina.Já entrei contigo em comunicação tão forte que deixei de existir sendo.Você tornou-se um eu.É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.É tão silencioso.Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?Dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes.Tais momentos são o meu segredo.Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamei isto de estado agudo de felicidade."



"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."


"E se me achar esquisita, respeite também. até eu fui obrigada a me respeitar."

sexta-feira, 21 de março de 2008

A comodidade da alma

Trecho de uma carta de Clarice Lispector a uma amiga. É comovente e bela a lucidez com que ela reconhece o quanto é difícil permanecer fiel a si mesmo e o preço alto que pagamos pela ousadia de buscar o que julgamos ser nosso. Acredito que a convicção inabalável do que nos pertence é nosso salvo-conduto para não desistirmos de nossos sonhos e de nós mesmos e principalmente não nos acomodarmos diante de uma vida sem sentido só porque é menos doloroso. Só pra arrematar esta frase dela diz tudo: "quem sabe de que negras raízes se alimenta a liberdade de um homem!?" A minha eu não sei... Quem sabe?!

“1947 Berna - Suíça "Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro... Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma". Clarice”. Amo Clarice

quinta-feira, 13 de março de 2008

Eu sou o mar, ó meu amor, diz que sim... /Pedra do Sal


Só o Tempo

Enya - Only Time (tradução) Enya
Só o Tempo


Quem pode dizer para onde vai a estrada?
Para onde flui o dia ?
Só o tempo ...
E quem pode dizer se o seu amor cresce,
conforme seu coração escolhe?
Só o tempo...
Quem pode dizer por que seu coração suspira
conforme seu amor voa?
Só o tempo
E quem pode dizer por que seu coração chora,
quando seu amor morre?
Só o tempo...
Quem pode dizer quando os caminhos se cruzam,
que o amor deve estar em seu coração ?
E quem pode dizer quando o dia termina,
se a noite guarda todo o seu coração?
se a noite guarda todo o seu coração...
Quem sabe?
só o tempo...
Quem sabe?
Só o tempo...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Poesia


Que me venha esse homem

Bruna Lombardi

Que me venha esse homem

depois de alguma chuva

que me prenda de tarde

em sua teia de veludo

que me fira com os olhos

e me penetre em tudo.


Que me venha esse homem

de músculos exatos

com um desejo agreste

com um cheiro de mato

que me prenda de noite

em sua rede de braços

que me perca em seus fios

de algas e sargaços.

Que me venha com força

com gosto de desbravar

que me faça de mata

pra percorrer devagar

que me faça de rio

pra se deixar naufragar.


Que me salve esse homem

com sua febre de fogo

que me prenda no espaço

de seu passo mais louco.

Ultimo dia de 2007

“Não preciso do fim para chegar.
Me procurei a vida inteira e não me achei... Descobri que todos os caminhos levam à ignorância..."


O grande Manoel de Barros me leva a reflexões profundas neste último dia do ano de 2007. É o fim de um ciclo chamado ano, o que inevitavelmente nos leva a uma prestação de contas interno. É a hora que paramos para nos sentenciar se passamos ou não de ano.
Hoje quero romper com esta lógica! E num ato transgressor e generoso validar todos os acertos e erros, que no final das contas têm o mesmo peso na construção da pessoa que sou. Alias é necessário admitir que nem mesmo sei se os acertos foram acertos e os erros foram erros. Tudo é uma questão de crença pessoal. É aqui também que sintetizamos nossa mais profunda ignorância.
Vamos combinar então que nosso compromisso será sempre com a felicidade e que no final de nossas contas valerá a intencionalidade. E mais importante ainda: descobrir que o fim não existe e que tudo é processo contínuo, todos passaremos de ano com louvor. Nota dez pra todo mundo! Vamos virar 2007 de alma lavada e coração aberto para as emoções de 2008.