domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Amor Acaba - Paulo Mendes Campos



Há quase um século não posto nada em meu querido blog, mas não resisti a postar essa crônica maravilhosa do Paulo Mendes Campos. Ela me foi enviada por e-mail há uns quinze dias atrás e agora passo a dividir com todos vocês. Meu sentimento? - algo prosaico e trágico, até porque me assusta a pensar que uma linha tão fina e imperceptível separa o grandioso e poderoso amor do nada, e de uma hora para outra, de um minuto a um segundo. Na verdade não acredito que acabe, acredito que se transforma e nos transforma também, a cada dia, cada segundo... não quero admitir,mas transforma em cinzas também, mas deixa suas marcas. O pior é que sei que acaba!Rs... Vamos que vamos!
"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."
In: “O amor acaba – crônicas líricas e existenciais” (Ed. Civilização Brasileira)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Poemas Tempo - Viviane Mosé

"...e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com meu consentimento
e me olhando nos olhos

Acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando."

Fonte: Poemas Chão.Ed. Sete Letras,2001
Tela de Picasso: Femme nue dans l'atelier, 1953

sábado, 5 de novembro de 2011

"Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatros paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeias...

Não há guada-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos."

João Cabral de Melo NetoGravura:Tela de Kirchner (06/05/1880 - 15/06/1938)
 extraido do blog:



Texto extraído do livro "João Cabral de Melo Neto - Obra completa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1994, pág. 79.



sábado, 29 de outubro de 2011

QUASE NADA - Zeca Baleiro


De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho

Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo

Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois não sei mais nada

Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Louca de Louça - Maria Carmem Barbosa

"Descobri que sou inteiramente louca.
Louca de pedra.
De pau. De ferro.
De aço.
De louça.
E quebro à toa."
Fonte: http://mariacarmembarbosa.com/

quinta-feira, 9 de junho de 2011

CLARICE LISPECTOR: ROTEIRO DO INSONDÁVEL

O texto, concebido a partir de ampla pesquisa do autor, cria uma narrativa imaginária com uma das mais importantes escritoras do Século XX. Onde, o desejo, a solidão e a impossibilidade do amor pleno são alguns dos temas dessa peça poética.
 Texto de *Flávio Viegas Amoreira.



Diálogo imaginário com Clarice Lispector.
    
Clarice, o desejo é um risco bom; não tenho para onde voltar depois da liberdade: e a liberdade me joga no redemoinho da paixão. Apesar de ter a doença dos sentidos demais aguçados, elevo-me ao Himalaia desse amor que me perfura: estou em estado de insatisfeito: o amor é coisa intraduzível, mas reparto fragmentos de compreensão: o que importa é que eu não saia ileso. O desejo por onde começo a dizer que quero estar nele, ser por ele, contaminar-me de sua pele é uma aprendizagem. Desejo é a palavra mais linda em qualquer idioma: desejo como quem aprende a andar depois do parto de estar no mundo sem escoras: lanço-me a ele o: Desejo. Agora ele tem cara: semblante de pedra. O amor é pedra onde cinzelo / quanto mais miro, mais turvo, embaço, mas não me cego: a pedra é o impossível que alcanço, o mais próximo do impossível, Clarice, é o homem impreciso: o amor por ele é sufocador, mas continua vago.

Quero viver de tesão com o mundo: nunca ser indiferente, mesmo com ódios passageiros. Amargura é dor carnívora. A felicidade dói, machuca: é um peixe elétrico, viceja. No meu sofrimento há um pátio ajardinado que rego: retenho esse meu afeto e nele acho uma fresta no sufocamento. Não, não Clarice! A nudez desse homem não me basta: é o entendimento do tempo que tiro dele a fórceps o que me sustenta: forjo o que amo, ele vem depois do que já intuía. Sabia desse amor em algum lugar do instante: agora que encontrei a face do meu delírio, remo na maré do próprio dilúvio que joga-me como arca: esse meu amor exige criar um Universo de coisas inexistentes. Abri a porta a um monstro marinho, colhi açucenas de puro aço, injetei força em minha medula adormecida de silêncio: cerrei minhas mandíbulas e segui farejando o absurdo. O amanhecer é improvável, a morte agora é não mais tê-lo: agarrei-me ao amor, à pedra, ao homem: não me rendo até o último gozo desse santo suplício. O homem onde pouso o espírito é um mar que corre nas veias: sabor de maresia que imanto. Amor, Clarice, é impregnar-se de uma galáxia por dentro. Ele é vasto, já não mais pedra o amor: o desejo é montanha: é vereda, eu pastoreio e rebanho.

Há uma geologia íngreme no subterrâneo: na psicologia dos meus dedos: ilumino com a espera as cavernas que ele me causou: escrevo-te Clarice para encontrar o silêncio. Não tenho mais forças para lutar contra o insondável: arrebenta em meu peito acanhado um Atlântico de ondas vertiginosas que me jogam contra toda realidade: a realidade é um sonho que me esqueceu. Estou em estado de praia, de rebentação: o abissal penetra-me agora: tenho coragem de ir ao fundo da coisa que sou eu, mas o eu espalhou-se. O amor reconhece a verdade não no coração, mas na imaginação da felicidade: o coração mentiu muitas vezes e agora não tenho altura para o abismo. Eu vi a Beleza e ela não me cansa de lágrimas: penso conceber o que se passa entre mim e o jogo, mas eis caído num lance inesperado. Eu quero esse amor mais do que o infortúnio de seu desprezo: a questão é o que fazer quando o amor secar de cansado: umedeço. Sei que existe a plenitude dum mergulho, da rosa, do ocaso do Sol no outono: procuro a plenitude Clarice, e lastimo que tudo concorra para desfazer-se: afogo-me, a flor despetala-se saudosa do caule e o crepúsculo me enche de terrores: não é a morte que tememos, é a finitude.

Dizer-te torna-me menos fantasma de palavras: o Destino se interpôs em nossa conversa: o que não é memória é hiato, estou desvelando o amor pela fala: sou impelido a dizer, a tentar reproduzir abstrações tão concretas quanto a lâmina que me fere de não poder: amar tornou-se uma prece de fora para dentro: uma liturgia do recôndito, uma celebração visceral do incompleto, não estou conformado com amputação da minha Alma. Perco-me: sou fluvial, cedo ao leito rubro: navego na torrente precipitando-me desabrido: só não transpasso: essa é a causa do meu desespero sem descanso: não transpasso por nosso espírito não penetrar-se em coito: eu o tenho sem ter , Clarice, o corpo não é ainda o amor, a carne é movediça, meus olhos não fixam o delírio: a fatalidade dessa paixão é não poder ser totalmente outro por inteiro e o inteiro descobri de modo terrível: ele não se permite, o inteiro não existe. Aprendi a trepar com outra Alma. Há essa selva entre o real e o simbólico: toda atmosfera submarina aterrada surta e endoido sem loucura: esse o drama que me alimenta e implode: a paixão é composta de razão excessiva, mas há outra face da razão: a posse do impalpável. Ele é a fruta e o paladar da fruta: minhas vísceras contêm também sua polpa: eu consisto em ser por ele sem estar nele contido: por que não vem a palavra que encerre a angústia: onde adquiro a fragrância do Eterno?

Evito-me as vezes: escapulo de mim, foragido de algum espelho ancestral, busco onde não encontrar o que me foi perdido sem ser percebido. Perceber é longo demais: quase nada tem um diagnóstico certeiro além da própria dor e do grito. Uma vez achei o perfeito: era invisível aos olhos desatentos: o perfeito é quando sentimos não mais querer sentir: dormindo eu sinto, mas quero a dor desperto... o perfeito é rápido como um raio bruto ou a saudade em estado de anestesia. A maçã não amadurecida quedava distendendo-se ao meu apetite: um esplendor! o diabo, Clarice, é a espera da colheita. A culpa de todo meu amor é não contentar-me em ser sóbrio de luz: exorbito implorante: emociono de deixar ele entrar: não amo toda parte, sou raro e apartei um alvo: só me chamo Eu quando ele me afaga: sou Eu quando mais não for além de Eu, ele por dentro tatuado. Ele estendeu o braço e lembrei de ti Clarice, quando dizias sobre os amantes: eu disse a ele “sou tu e eu é tu, nós é ele”. Amo romper a gramática como um dique não contendo a represa: amo em azul, amo num azul muito delicado, o azul cobalto. Agora desnudo o que antes inexistia. Despojo-me do que antes não tinha: me totalizo: desnudei-me numa clareira da floresta escura: não fugir da sombra é o maior sinal de luz / a raiz sofre ao rasgar-se semente: da unidade ao fragmento, deitamos sementes de nossos corpos-raízes: sou primordial: tornei-me bromélia: o poeta mora onde se entrega amor, a pedra subjaz: dissolveu-se sedimento liquefeito. Esquecer é não ter vivido: se não tivesse nascido por onde perambulava o que é em mim existido?

Clarice, estranho-me: quem somos quando escrevemos? a máscara ou o rosto distorcido? Tenho a memória da terra, o Mar ejacula / corrosão da pedra / pomo / faca sem gume / fui alcançado por um distanciado farol da torre: eu presumo, não penso: pensar é certeiro, e nada acerta quando buscado: o sentido é outro que o da fonte. Sou amado como seiva esvaída em transe: os ossos desse amante salgam minha pele distendida: castelo de proa / assovios de navios na noite do Tempo: é noite do Tempo: o Espaço é clarabóia / mansarda acolhendo Vida: o que é Vida, Clarice? senão rastilho de pólvora. Confesso um segredo com meus membros em água viva: Clarice, confesso: meu amor é um navio sem rota cortando caminhos por minha artérias de zinco: cada célula de que sou composto tem um núcleo exalando sentimento. Esgotarei a existência até a última seiva e haverá gotas que jorrarão meu Eu e o amor que experimentei nos elementos: nosso acalanto terá aparência de ciclos entre a chuva e o trovão. Escrever é poder dizer num relógio d´água tudo que não sei explicar: precipito-me de novo ao penhasco: queria tornar-me Oceano para libertar-me da paixão: rasgo com meus músculos impotentes o cruel muro da prisão: a paixão por ele tem sido minha prisão. Todas paixões são prisões: recomeço escalar o muro: o penhasco: agora quero ser calmo: quero ser contemplação: cansei da paisagem: eu o carrego amando sem mais muros. Conheci o amor numa tarde: agora meu futuro é sempre 2 horas da tarde. Alcancei a esfera: a esfera, o círculo que não domino não sou mais eu, nem ele que ainda amo, o cerne, a essência é a busca da libertação, estou no aprendizado da libertação, Clarice: libertação é espremer o que passa: busquei o total, o total não fica nunca pronto: então choro com o milagre do que passa: dos amassos que dou na existência: transo de espírito para o espírito: o dele é azul também.

Dois nunca são um; amor é areia que junto para arquitetar um castelo que desmancha, mas ainda assim volta a ser Oceano-Mar. Somos rochedos vizinhos: o sal semeia esbatendo em nossas ilhas que se lambem de partida. Rochedos, mesmo assim seremos misturados de areia. Não somos mais ilhas: contemos um no outro: somos agora continente.

FONTE: http://revistapausa.blogspot.com/2009/06/clarice-lispector-roteiro-do-insondavel_22.html

* FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA é poeta, contista, romancista e crítico, nascido em Santos em 1965. Com importante atuação no panorama cultural do Litoral Paulista, escreveu os livros Maralto (2002); A Biblioteca Submergida (2003); Contogramas (2004) entre outros. Em 2007, publicou seu romance Edoardo o Ele de Nós.

domingo, 24 de abril de 2011

Fragmento do livro Água Viva -Clarice Lispector

Água Viva é um dos textos mais intrigantes que Clarice escreveu. Vai ao limite do introspectivo e isso provoca em mim sensações que vão do constrangimento de presenciar alguém emocionalmente desnuda à compaixão - também me identifico com sua dores, seus temores e ilusões.Ontem à noite me entupi de Água Viva e agora, resta-me  dividi-la.
 
"O imprevisto improvisado e fatal me fascina.
Já entrei contigo em comunicação tão grande
que deixei de existir sendo. Você tornou-se um eu. É tão difícil
falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes.
Tais momentos são meus segredos. Houve o que se chama de
comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de
felicidade."

sábado, 23 de abril de 2011

Fragmento do livro Água Viva - Clarice Lispector

"A vida oblíqua? Bem sei que há um desencontro leve entre as

coisas, elas quase se chocam, há desencontro entre os seres que se
perdem uns aos outros entre palavras que quase não dizem mais
nada. Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse
quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um
encontro brusco face a face com ela nos assustaria,
espaventaria os seus delicados fios de teia de aranha. Nós
somos de soslaio para não comprometer o que pressentimos de
infinitamente outro nessa vida de que te falo."

Fragmento do livro Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998.

sábado, 16 de abril de 2011

La vie en close

"nunca cometo o mesmo erro


duas vezes


já cometo duas três


quatro cinco seis


até esse erro aprender


que só o erro tem vez."

Leminski assumia sua humanidade como ninguém: Contagiado de humor, ironia e muito afeto. Era uma receita muito particular - Fazia parte de sua essência. Adoro Leminski e esse meu amor vem de longas datas, vem da infância de minha adolescência.

terça-feira, 15 de março de 2011

ME TIENES EN TUS MANOS - JAIME SABINES

"Me tienes en tus manos
y me lees lo mismo que un libro.
Sabes lo que yo ignoro
y me dices las cosas que no me digo.
Me aprendo en ti más que en mi mismo.
Eres como un milagro de todas horas,
como un dolor sin sitio.
Si no fueras mujer fueras mi amigo.
A veces quiero hablarte de mujeres
que a un lado tuyo persigo.
Eres como el perdón
y yo soy como tu hijo.
¿Qué buenos ojos tienes cuando estás conmigo?
¡Qué distante te haces y qué ausente
cuando a la soledad te sacrifico!
Dulce como tu nombre, como un higo,
me esperas en tu amor hasta que arribo.
Tú eres como mi casa,
eres como mi muerte, amor mío."

sábado, 5 de março de 2011

UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES

"Existe um ser que mora
dentro de mim como se fosse casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que
apesar de inteiramente selvagem — pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe
puseram rédeas nem sela — apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma
doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é
úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e
vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo
daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta
chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura
e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e
vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é
a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o
excesso de doçura do que é isto pela primeira vez".

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PENSO E PASSO - Alice Ruiz

Quando penso
que um palavra
Pode mudar tudo
Não fico mudo
Mudo

Quando penso
que um passo
Descobre o mundo
Não paro o passo
Passo

E assim que
passo e mudo
Um novo mundo nasce
Na palavra que penso.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Amor Bate na Aorta – Versos incompletos

Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlitos.

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
Amor é bicho instruído.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...

domingo, 21 de novembro de 2010

Fragmentos de Clarice Lispector - Água Viva

Clarice certa vez disse: Eu não escrevo o que quero, escrevo o que sou. E realmente Clarice deixa vestígios do seu ser nas entrelinhas do que escreve, como neste trecho:

"Nasci dura, heróica, solitária e em pé. E encontrei meu contraponto na paisagem sem pitoresco e sem beleza. A feiúra é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual. E desafio a morte. Eu - eu sou a minha própria morte. E ninguém vai mais longe. O que há de bárbaro em mim procura o bárbaro e cruel fora de mim. Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo. Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego. É o mínimo que posso fazer de minha vida: aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite."

Fragmento do livro Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998. O lançamento do livro é de 1973 pela Artenova.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

MUNDO PEQUENO - Manoel de Barros

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
- Gostar de fazer defeitos na frase é muito
saudável,o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da
vida um certo gosto por nadas...
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em
estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores
surpresas e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
gramática.

O Livro das Ignorãças/Manoel de Barros - 16ªed. - Rio de Janeiro:Record,2009 pág.87

quarta-feira, 10 de novembro de 2010


"Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões".


Clarice Lispector, "A imitação da Rosa‎" - Página 12, Clarice Lispector - Editora Artenova, 1973

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PLATAFORMA FREIRE ABRE PARA 1º SEMESTRE 2011

Abre hoje, dia 05 e prossegue até 30 de novembro, a Plataforma Freire – Ambiente virtual destinado ao cadastro de professores e a realização das pré-inscrições nos cursos do PARFOR para os professores da Educação Básica das Redes Públicas.
As ofertas do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR, para o semestre 2011.1, via Plataforma Freire, serão no Estado do Piauí, de Formação Inicial com cursos presenciais e especiais (período de férias) de Primeira e Segunda Licenciatura e Formação Pedagógica e também, de Formação Continuada à distância com 140 vagas para o curso de aperfeiçoamento em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e com Vida, promovido pela Universidade Federal do Mato Grosso.
As Instituições de Ensino Superior que participam do PARFOR no Estado são: Universidade Federal do Piauí – UFPI; Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – IFPI e Universidade Estadual do Piauí – UESPI que juntas estão disponibilizando 4.090 vagas em 21 pólos: Amarante; Angical; Barras; Batalha; Bom Jesus; Canto do Buriti; Corrente; Curimatá; Floriano; Fronteiras; Luzilândia; Oeiras; Parnaíba; Paulistana; Picos; Piripiri; São João do PI; S.Raimundo Nonato; Teresina; União e Uruçuí.
É importante destacar que a 1ª Licenciatura é destinada aos professores sem formação superior; a 2ª Licenciatura para professores licenciados, mas que atuam fora de sua formação específica e Formação Pedagógica para bacharéis sem licenciatura. Além da exigência dos dados do professor constar no Censo Escolar de 2009 para se eftivar a sua pré-inscrição.

Maiores esclarecimentos: 0 800 61 6161 opção 4
SEDUC/PI: (86) 3216.4442/ 3216.3805
Ou pelo sitio: http://freire.mec.gov.br/

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domingo, 31 de outubro de 2010

Carlos Drummond de Andrade 108 Anos 31.10.2010


ETERNO

E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.

Eterno! Eterno!
O Padre Eterno,
a vida eterna,
o fogo eterno.

*(Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie.)

**— O que é eterno, Yayá Lindinha?
— Ingrato! é o amor que te tenho.

Eternalidade eternite eternaltivamente
eternuávamos
eternissíssimo
A cada instante se criam novas categorias do eterno.

Eterna é a flor que se fana
se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome
e lhe comuniquem o sentimento do efêmero
é o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força [o resgata

é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que a perdi de não pensá-la
é o que se pensa em nós se estamos loucos
é tudo que passou, porque passou
é tudo que não passa, pois não houve

eternas as palavras, eternos os pensamentos; e passageiras as obras.
Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um mar [profundo.

Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos afundamos.
É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios.

Eternos! Eternos, miseravelmente.
O relógio no pulso é nosso confidente.

Mas eu não quero ser senão eterno.
Que os séculos apodreçam e não reste mais do que uma essência
ou nem isso.
E que eu desapareça mas fique este chão varrido onde possou [uma sombra
e que não fique o chão nem fique a sombra
mas que a precisão urgente de ser eterno boie como uma esponja [no caos

e entre oceanos de nada
gere um ritmo.
*"O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora" é uma frase famosa do pensador francês Blaise Pascal (1623-1662).
** O diálogo jocoso de Yayá Lindinha foi retirado de um conto chamado "Eterno" de Machado de Assis.

sábado, 30 de outubro de 2010

Ai Que Vontade! - Itamar Assumpção


"Ai que vontade de pegar esta saudade
Enfiar atrás das grades e levar pra Itajaí
Trocar de ares ir e vir nos verdes mares
Despejar nos arredores bulevares de Tatuí."


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Divã - Martha Medeiros

"Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou eu mergulho até encontrar o reino submerso de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora. Não consigo gostar mais ou menos das pessoas, e não quero essa condescendência comigo também."

Divã/ Martha Medeiros - Rio de Janeiro:Objetiva,2002 pág.103

sábado, 23 de outubro de 2010

TERCEIRO DIA - O Livro das Ignorãças



"Nuvens me cruzam de arribação.
Tenho uma dor de concha extraviada.
Uma dor de pedaços que não voltam.
Eu sou muitas pessoas destroçadas."


O Livro das Ignorãças/Manoel de Barros - 16ªed. - Rio de Janeiro:Record,2009 pág.71

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

AFORISMO

"Se você construiu castelos no ar, o seu trabalho não precisa estar
perdido; é lá que eles devem ficar. Agora ponha os alicerces por baixo
deles."
Hery David Thoreau (1817 - 1862)

O mundo em uma frase: uma breve história do aforismo/James Geary - Rio de Janeiro: Objetiva,2007. pág.165

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Código de Acesso - Itamar Assumpção

"O meu código de acesso, é imenso
É nexo, é dor, é flor
É côncavo, é complexo
É denso, é afago, é amplexo
É o ninho do verso de amor"


A afirmação da poesia veio por intermédio de Paulo Leminski que já nos anos 70 dizia que a canção popular era o novo suporte para os versos no Brasil. Leminski disse à Itamar que ele era poeta. Discutiram, claro, mas por fim, há poesia sobrando no discurso irônico, romântico, passional de Itamar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os Deslimites da Palavra


"Ando muito completo de vazios.

Meu órgão de morrer me predomia.

Estou sem eternidades."


O Livro das Ignorãças/Manoel de Barros - 16ªed. - Rio de Janeiro:Record,2009 pág.55

Paulo Freire o mestre de todos nós!

Aos professores e professoras, que as palavras sábias do nosso grande mestre continue a nos inspirar na busca do compromisso de formar pessoas,, em especial, aos nossos alunos da escola pública!

"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do
processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria."

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Aluna - Cecília Meirelles

"Conservo-te o meu sorriso
para, quando me encontrares,
veres que ainda tenho uns ares
de aluna do paraíso…"

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Des-construindo... por cinelirico no Videolog.tv.

Muito lindo esse vídeo! Dedico ao meu menino Gabriel, que exercita muito bem a "Des - construção" desse mundão que habitamos!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Brasileirão Petrobras | Estrela da Vida Inteira

A caravana do Brasileirão Petrobras foi até o Engenhão, no Rio de Janeiro, sentir a energia da torcida do Botafogo. No vídeo, o torcedor-símbolo, Fabiano Tatu, e seu assistente, Gabriel Godoy, conversam com botafoguenses e ex-jogadores do time e descobrem que a superstição é uma de suas marcas. Conheça um pouco da história do alvinegro da Severiano Ribeiro, que teve Mané Garrincha entre os nomes de sua constelação de craques.

"Minha estrela não é a de Belém:

A que, parada, aguarda o peregrino.

Sem importa-se com qualquer destino

A minha estrela vai seguindo além..." Mário Quintana

Homenagem a estrela solitária e a todos fotafoguenses, em especial, meus dois meninos: Aírton e Gabriel.

sábado, 18 de setembro de 2010

domingo, 20 de junho de 2010

AUSÊNCIA - Carlos Drummond de Andrade

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba de mim.

Nova reunião:23 livros de poesia - volume 3/Corpo

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Aprendendo a Viver - Pertencer

"Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça."

Clarice Lispector

domingo, 30 de maio de 2010

"Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama."


Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998. p. 66.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A PLATAFORMA FREIRE ABRE HOJE PARA PRÉ-INSCRIÇÃO PARA 2º SEMESTRE 2010

A partir de hoje, dia 10 até 29 de maio , estará aberta a Plataforma Freire para pré-inscrição aos professores das Redes Públicas, permitida a pré-inscrição do candidato em apenas um curso.
As ofertas do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR, para o segundo semestre de 2010, via Plataforma Freire, serão restritas à Formação Inicial – cursos de Primeira e Segunda Licenciaturas e Formação Pedagógica.
É importante destacar, que a 1ª Licenciatura é destinada aos professores sem formação superior, a 2ª Licenciatura para professores licenciados, mas que atuam fora de sua formação específica e Formação Pedagógica para bacharéis sem licenciatura. Gostaria de chamar a atenção dos professores para, ao se inscrever na Plataforma, observe estes critérios, pois a não observância dos mesmos deixou muitos sem sua pré-inscrição validada, até mesmo porque ,a CAPES não financia cursos de 1ª Licenciatura para quem já é licenciado.
A partir de hoje, dia 10 até 29 de maio , estará aberta a Plataforma Freire para pré-inscrição aos professores das Redes Públicas, permitida a pré-inscrição do candidato em apenas um curso.As ofertas do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR, para o segundo semestre de 2010, via Plataforma Freire, serão restritas à Formação Inicial – cursos de Primeira e Segunda Licenciaturas e Formação Pedagógica.É importante destacar, que a 1ª Licenciatura é destinada aos professores sem formação superior, a 2ª Licenciatura para professores licenciados, mas que atuam fora de sua formação específica e Formação Pedagógica para bacharéis sem licenciatura. Gostaria de chamar a atenção dos professores para, ao se inscrever na Plataforma, observe estes critérios, pois a não observância dos mesmos deixou muitos sem sua pré-inscrição validada, até mesmo porque ,a CAPES não financia cursos de 1ª Licenciatura para quem já é licenciado.
Encerra dia 29 de maio a pré-inscrição nos cursos presenciais e especiais e, do dia 1 a 17 de junho, a Plataforma será reaberta para que os gestores das Redes Estadual e Municipais possam validar as pré-inscrições de sua Rede e, a partir de 19 de julho, inicio do processo seletivo ou matrículas por parte das Instituições de Ensino Superior.

sexta-feira, 30 de abril de 2010


"Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

UMBIGO

O teu umbiguinho,

Doce ninho do meu beijo

Capital do meu desejo,

Em suas dobras misteriosas,

Ouço a voz da natureza

Num eco doce e profundo,

Não só o centro de um corpo,

Também o centro do mundo!

Quintana me surpreendendo sempre! E quando o leio, meu sentimento é que estarei diante do inesperado, do improvável, talvez, do sentimento que ele traduz tão bem: “O poema é uma garrafa de náufrago jogada ao mar. Quem a encontra salva-se a si mesmo.”

- Antologia Poética - Porto Alegre: L&PM,1997 pág.143

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Vivo cercada de pessoas, mas nunca somos nós mesmos na presença de testemunhas."

Divã/ Martha Medeiros - Rio de Janeiro: Objetiva,2002 - pág.10

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Divã

"... Uma vida sem sustos. É o que desejo pra mim. Não estou dizendo uma vida sem decepções, frustrações ou êxtases: sem sustos, apenas. Quero aceitar a potência dos meus sentimentos e não ficar embaraçada diante de reações incomuns. Poder receber uma ventania de pé, mesmo que ela me desloque de onde eu estava. de pé, mesmo com medo. Não mais em posição fetal."
Divã, Martha Medeiros - Ed. Ojetiva, pág 113
Foto: Jil Noberto

domingo, 31 de janeiro de 2010

Poesia Reunida - Martha Medeiros

"Descubro meus vícios assim

cheguei na cabana e pensei

sem tevê eu não fico

sem você eu não vivo"

Poesia Reunida, L&PM pág.14 - as poesias são numeradas e esta é a de número 13.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Só Dez Por Cento é Mentira - Manoel de Barros e a fama

Manoel é mais que um poeta, Manoel tem um relacionamento amoroso com as palavras de pura sedução e as palavras por sua vez, são tão permissivas com ele... Aí acontece um deslumbramento completo: ele e as palavras, as palavras e ele... e nós completamente encantados! Manoel me emociona sempre!