quinta-feira, 9 de junho de 2011

CLARICE LISPECTOR: ROTEIRO DO INSONDÁVEL

O texto, concebido a partir de ampla pesquisa do autor, cria uma narrativa imaginária com uma das mais importantes escritoras do Século XX. Onde, o desejo, a solidão e a impossibilidade do amor pleno são alguns dos temas dessa peça poética.
 Texto de *Flávio Viegas Amoreira.



Diálogo imaginário com Clarice Lispector.
    
Clarice, o desejo é um risco bom; não tenho para onde voltar depois da liberdade: e a liberdade me joga no redemoinho da paixão. Apesar de ter a doença dos sentidos demais aguçados, elevo-me ao Himalaia desse amor que me perfura: estou em estado de insatisfeito: o amor é coisa intraduzível, mas reparto fragmentos de compreensão: o que importa é que eu não saia ileso. O desejo por onde começo a dizer que quero estar nele, ser por ele, contaminar-me de sua pele é uma aprendizagem. Desejo é a palavra mais linda em qualquer idioma: desejo como quem aprende a andar depois do parto de estar no mundo sem escoras: lanço-me a ele o: Desejo. Agora ele tem cara: semblante de pedra. O amor é pedra onde cinzelo / quanto mais miro, mais turvo, embaço, mas não me cego: a pedra é o impossível que alcanço, o mais próximo do impossível, Clarice, é o homem impreciso: o amor por ele é sufocador, mas continua vago.

Quero viver de tesão com o mundo: nunca ser indiferente, mesmo com ódios passageiros. Amargura é dor carnívora. A felicidade dói, machuca: é um peixe elétrico, viceja. No meu sofrimento há um pátio ajardinado que rego: retenho esse meu afeto e nele acho uma fresta no sufocamento. Não, não Clarice! A nudez desse homem não me basta: é o entendimento do tempo que tiro dele a fórceps o que me sustenta: forjo o que amo, ele vem depois do que já intuía. Sabia desse amor em algum lugar do instante: agora que encontrei a face do meu delírio, remo na maré do próprio dilúvio que joga-me como arca: esse meu amor exige criar um Universo de coisas inexistentes. Abri a porta a um monstro marinho, colhi açucenas de puro aço, injetei força em minha medula adormecida de silêncio: cerrei minhas mandíbulas e segui farejando o absurdo. O amanhecer é improvável, a morte agora é não mais tê-lo: agarrei-me ao amor, à pedra, ao homem: não me rendo até o último gozo desse santo suplício. O homem onde pouso o espírito é um mar que corre nas veias: sabor de maresia que imanto. Amor, Clarice, é impregnar-se de uma galáxia por dentro. Ele é vasto, já não mais pedra o amor: o desejo é montanha: é vereda, eu pastoreio e rebanho.

Há uma geologia íngreme no subterrâneo: na psicologia dos meus dedos: ilumino com a espera as cavernas que ele me causou: escrevo-te Clarice para encontrar o silêncio. Não tenho mais forças para lutar contra o insondável: arrebenta em meu peito acanhado um Atlântico de ondas vertiginosas que me jogam contra toda realidade: a realidade é um sonho que me esqueceu. Estou em estado de praia, de rebentação: o abissal penetra-me agora: tenho coragem de ir ao fundo da coisa que sou eu, mas o eu espalhou-se. O amor reconhece a verdade não no coração, mas na imaginação da felicidade: o coração mentiu muitas vezes e agora não tenho altura para o abismo. Eu vi a Beleza e ela não me cansa de lágrimas: penso conceber o que se passa entre mim e o jogo, mas eis caído num lance inesperado. Eu quero esse amor mais do que o infortúnio de seu desprezo: a questão é o que fazer quando o amor secar de cansado: umedeço. Sei que existe a plenitude dum mergulho, da rosa, do ocaso do Sol no outono: procuro a plenitude Clarice, e lastimo que tudo concorra para desfazer-se: afogo-me, a flor despetala-se saudosa do caule e o crepúsculo me enche de terrores: não é a morte que tememos, é a finitude.

Dizer-te torna-me menos fantasma de palavras: o Destino se interpôs em nossa conversa: o que não é memória é hiato, estou desvelando o amor pela fala: sou impelido a dizer, a tentar reproduzir abstrações tão concretas quanto a lâmina que me fere de não poder: amar tornou-se uma prece de fora para dentro: uma liturgia do recôndito, uma celebração visceral do incompleto, não estou conformado com amputação da minha Alma. Perco-me: sou fluvial, cedo ao leito rubro: navego na torrente precipitando-me desabrido: só não transpasso: essa é a causa do meu desespero sem descanso: não transpasso por nosso espírito não penetrar-se em coito: eu o tenho sem ter , Clarice, o corpo não é ainda o amor, a carne é movediça, meus olhos não fixam o delírio: a fatalidade dessa paixão é não poder ser totalmente outro por inteiro e o inteiro descobri de modo terrível: ele não se permite, o inteiro não existe. Aprendi a trepar com outra Alma. Há essa selva entre o real e o simbólico: toda atmosfera submarina aterrada surta e endoido sem loucura: esse o drama que me alimenta e implode: a paixão é composta de razão excessiva, mas há outra face da razão: a posse do impalpável. Ele é a fruta e o paladar da fruta: minhas vísceras contêm também sua polpa: eu consisto em ser por ele sem estar nele contido: por que não vem a palavra que encerre a angústia: onde adquiro a fragrância do Eterno?

Evito-me as vezes: escapulo de mim, foragido de algum espelho ancestral, busco onde não encontrar o que me foi perdido sem ser percebido. Perceber é longo demais: quase nada tem um diagnóstico certeiro além da própria dor e do grito. Uma vez achei o perfeito: era invisível aos olhos desatentos: o perfeito é quando sentimos não mais querer sentir: dormindo eu sinto, mas quero a dor desperto... o perfeito é rápido como um raio bruto ou a saudade em estado de anestesia. A maçã não amadurecida quedava distendendo-se ao meu apetite: um esplendor! o diabo, Clarice, é a espera da colheita. A culpa de todo meu amor é não contentar-me em ser sóbrio de luz: exorbito implorante: emociono de deixar ele entrar: não amo toda parte, sou raro e apartei um alvo: só me chamo Eu quando ele me afaga: sou Eu quando mais não for além de Eu, ele por dentro tatuado. Ele estendeu o braço e lembrei de ti Clarice, quando dizias sobre os amantes: eu disse a ele “sou tu e eu é tu, nós é ele”. Amo romper a gramática como um dique não contendo a represa: amo em azul, amo num azul muito delicado, o azul cobalto. Agora desnudo o que antes inexistia. Despojo-me do que antes não tinha: me totalizo: desnudei-me numa clareira da floresta escura: não fugir da sombra é o maior sinal de luz / a raiz sofre ao rasgar-se semente: da unidade ao fragmento, deitamos sementes de nossos corpos-raízes: sou primordial: tornei-me bromélia: o poeta mora onde se entrega amor, a pedra subjaz: dissolveu-se sedimento liquefeito. Esquecer é não ter vivido: se não tivesse nascido por onde perambulava o que é em mim existido?

Clarice, estranho-me: quem somos quando escrevemos? a máscara ou o rosto distorcido? Tenho a memória da terra, o Mar ejacula / corrosão da pedra / pomo / faca sem gume / fui alcançado por um distanciado farol da torre: eu presumo, não penso: pensar é certeiro, e nada acerta quando buscado: o sentido é outro que o da fonte. Sou amado como seiva esvaída em transe: os ossos desse amante salgam minha pele distendida: castelo de proa / assovios de navios na noite do Tempo: é noite do Tempo: o Espaço é clarabóia / mansarda acolhendo Vida: o que é Vida, Clarice? senão rastilho de pólvora. Confesso um segredo com meus membros em água viva: Clarice, confesso: meu amor é um navio sem rota cortando caminhos por minha artérias de zinco: cada célula de que sou composto tem um núcleo exalando sentimento. Esgotarei a existência até a última seiva e haverá gotas que jorrarão meu Eu e o amor que experimentei nos elementos: nosso acalanto terá aparência de ciclos entre a chuva e o trovão. Escrever é poder dizer num relógio d´água tudo que não sei explicar: precipito-me de novo ao penhasco: queria tornar-me Oceano para libertar-me da paixão: rasgo com meus músculos impotentes o cruel muro da prisão: a paixão por ele tem sido minha prisão. Todas paixões são prisões: recomeço escalar o muro: o penhasco: agora quero ser calmo: quero ser contemplação: cansei da paisagem: eu o carrego amando sem mais muros. Conheci o amor numa tarde: agora meu futuro é sempre 2 horas da tarde. Alcancei a esfera: a esfera, o círculo que não domino não sou mais eu, nem ele que ainda amo, o cerne, a essência é a busca da libertação, estou no aprendizado da libertação, Clarice: libertação é espremer o que passa: busquei o total, o total não fica nunca pronto: então choro com o milagre do que passa: dos amassos que dou na existência: transo de espírito para o espírito: o dele é azul também.

Dois nunca são um; amor é areia que junto para arquitetar um castelo que desmancha, mas ainda assim volta a ser Oceano-Mar. Somos rochedos vizinhos: o sal semeia esbatendo em nossas ilhas que se lambem de partida. Rochedos, mesmo assim seremos misturados de areia. Não somos mais ilhas: contemos um no outro: somos agora continente.

FONTE: http://revistapausa.blogspot.com/2009/06/clarice-lispector-roteiro-do-insondavel_22.html

* FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA é poeta, contista, romancista e crítico, nascido em Santos em 1965. Com importante atuação no panorama cultural do Litoral Paulista, escreveu os livros Maralto (2002); A Biblioteca Submergida (2003); Contogramas (2004) entre outros. Em 2007, publicou seu romance Edoardo o Ele de Nós.

domingo, 24 de abril de 2011

Fragmento do livro Água Viva -Clarice Lispector

Água Viva é um dos textos mais intrigantes que Clarice escreveu. Vai ao limite do introspectivo e isso provoca em mim sensações que vão do constrangimento de presenciar alguém emocionalmente desnuda à compaixão - também me identifico com sua dores, seus temores e ilusões.Ontem à noite me entupi de Água Viva e agora, resta-me  dividi-la.
 
"O imprevisto improvisado e fatal me fascina.
Já entrei contigo em comunicação tão grande
que deixei de existir sendo. Você tornou-se um eu. É tão difícil
falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes.
Tais momentos são meus segredos. Houve o que se chama de
comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de
felicidade."

sábado, 23 de abril de 2011

Fragmento do livro Água Viva - Clarice Lispector

"A vida oblíqua? Bem sei que há um desencontro leve entre as

coisas, elas quase se chocam, há desencontro entre os seres que se
perdem uns aos outros entre palavras que quase não dizem mais
nada. Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse
quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um
encontro brusco face a face com ela nos assustaria,
espaventaria os seus delicados fios de teia de aranha. Nós
somos de soslaio para não comprometer o que pressentimos de
infinitamente outro nessa vida de que te falo."

Fragmento do livro Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998.

sábado, 16 de abril de 2011

La vie en close

"nunca cometo o mesmo erro


duas vezes


já cometo duas três


quatro cinco seis


até esse erro aprender


que só o erro tem vez."

Leminski assumia sua humanidade como ninguém: Contagiado de humor, ironia e muito afeto. Era uma receita muito particular - Fazia parte de sua essência. Adoro Leminski e esse meu amor vem de longas datas, vem da infância de minha adolescência.

terça-feira, 15 de março de 2011

ME TIENES EN TUS MANOS - JAIME SABINES

"Me tienes en tus manos
y me lees lo mismo que un libro.
Sabes lo que yo ignoro
y me dices las cosas que no me digo.
Me aprendo en ti más que en mi mismo.
Eres como un milagro de todas horas,
como un dolor sin sitio.
Si no fueras mujer fueras mi amigo.
A veces quiero hablarte de mujeres
que a un lado tuyo persigo.
Eres como el perdón
y yo soy como tu hijo.
¿Qué buenos ojos tienes cuando estás conmigo?
¡Qué distante te haces y qué ausente
cuando a la soledad te sacrifico!
Dulce como tu nombre, como un higo,
me esperas en tu amor hasta que arribo.
Tú eres como mi casa,
eres como mi muerte, amor mío."

sábado, 5 de março de 2011

UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES

"Existe um ser que mora
dentro de mim como se fosse casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que
apesar de inteiramente selvagem — pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe
puseram rédeas nem sela — apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma
doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é
úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e
vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo
daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta
chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura
e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e
vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é
a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o
excesso de doçura do que é isto pela primeira vez".

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PENSO E PASSO - Alice Ruiz

Quando penso
que um palavra
Pode mudar tudo
Não fico mudo
Mudo

Quando penso
que um passo
Descobre o mundo
Não paro o passo
Passo

E assim que
passo e mudo
Um novo mundo nasce
Na palavra que penso.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Amor Bate na Aorta – Versos incompletos

Cantiga de amor sem eira
nem beira,
vira o mundo de cabeça
para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
hoje tem filme de Carlitos.

O amor bate na porta
o amor bate na aorta,
Amor é bicho instruído.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender...

domingo, 21 de novembro de 2010

Fragmentos de Clarice Lispector - Água Viva

Clarice certa vez disse: Eu não escrevo o que quero, escrevo o que sou. E realmente Clarice deixa vestígios do seu ser nas entrelinhas do que escreve, como neste trecho:

"Nasci dura, heróica, solitária e em pé. E encontrei meu contraponto na paisagem sem pitoresco e sem beleza. A feiúra é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual. E desafio a morte. Eu - eu sou a minha própria morte. E ninguém vai mais longe. O que há de bárbaro em mim procura o bárbaro e cruel fora de mim. Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo. Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego. É o mínimo que posso fazer de minha vida: aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite."

Fragmento do livro Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998. O lançamento do livro é de 1973 pela Artenova.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

MUNDO PEQUENO - Manoel de Barros

Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
- Gostar de fazer defeitos na frase é muito
saudável,o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da
vida um certo gosto por nadas...
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em
estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores
surpresas e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
gramática.

O Livro das Ignorãças/Manoel de Barros - 16ªed. - Rio de Janeiro:Record,2009 pág.87

quarta-feira, 10 de novembro de 2010


"Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões".


Clarice Lispector, "A imitação da Rosa‎" - Página 12, Clarice Lispector - Editora Artenova, 1973

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PLATAFORMA FREIRE ABRE PARA 1º SEMESTRE 2011

Abre hoje, dia 05 e prossegue até 30 de novembro, a Plataforma Freire – Ambiente virtual destinado ao cadastro de professores e a realização das pré-inscrições nos cursos do PARFOR para os professores da Educação Básica das Redes Públicas.
As ofertas do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR, para o semestre 2011.1, via Plataforma Freire, serão no Estado do Piauí, de Formação Inicial com cursos presenciais e especiais (período de férias) de Primeira e Segunda Licenciatura e Formação Pedagógica e também, de Formação Continuada à distância com 140 vagas para o curso de aperfeiçoamento em Educação Ambiental: Escolas Sustentáveis e com Vida, promovido pela Universidade Federal do Mato Grosso.
As Instituições de Ensino Superior que participam do PARFOR no Estado são: Universidade Federal do Piauí – UFPI; Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – IFPI e Universidade Estadual do Piauí – UESPI que juntas estão disponibilizando 4.090 vagas em 21 pólos: Amarante; Angical; Barras; Batalha; Bom Jesus; Canto do Buriti; Corrente; Curimatá; Floriano; Fronteiras; Luzilândia; Oeiras; Parnaíba; Paulistana; Picos; Piripiri; São João do PI; S.Raimundo Nonato; Teresina; União e Uruçuí.
É importante destacar que a 1ª Licenciatura é destinada aos professores sem formação superior; a 2ª Licenciatura para professores licenciados, mas que atuam fora de sua formação específica e Formação Pedagógica para bacharéis sem licenciatura. Além da exigência dos dados do professor constar no Censo Escolar de 2009 para se eftivar a sua pré-inscrição.

Maiores esclarecimentos: 0 800 61 6161 opção 4
SEDUC/PI: (86) 3216.4442/ 3216.3805
Ou pelo sitio: http://freire.mec.gov.br/

.

domingo, 31 de outubro de 2010

Carlos Drummond de Andrade 108 Anos 31.10.2010


ETERNO

E como ficou chato ser moderno.
Agora serei eterno.

Eterno! Eterno!
O Padre Eterno,
a vida eterna,
o fogo eterno.

*(Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie.)

**— O que é eterno, Yayá Lindinha?
— Ingrato! é o amor que te tenho.

Eternalidade eternite eternaltivamente
eternuávamos
eternissíssimo
A cada instante se criam novas categorias do eterno.

Eterna é a flor que se fana
se soube florir
é o menino recém-nascido
antes que lhe dêem nome
e lhe comuniquem o sentimento do efêmero
é o gesto de enlaçar e beijar
na visita do amor às almas
eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força [o resgata

é minha mãe em mim que a estou pensando
de tanto que a perdi de não pensá-la
é o que se pensa em nós se estamos loucos
é tudo que passou, porque passou
é tudo que não passa, pois não houve

eternas as palavras, eternos os pensamentos; e passageiras as obras.
Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um mar [profundo.

Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos afundamos.
É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios.

Eternos! Eternos, miseravelmente.
O relógio no pulso é nosso confidente.

Mas eu não quero ser senão eterno.
Que os séculos apodreçam e não reste mais do que uma essência
ou nem isso.
E que eu desapareça mas fique este chão varrido onde possou [uma sombra
e que não fique o chão nem fique a sombra
mas que a precisão urgente de ser eterno boie como uma esponja [no caos

e entre oceanos de nada
gere um ritmo.
*"O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora" é uma frase famosa do pensador francês Blaise Pascal (1623-1662).
** O diálogo jocoso de Yayá Lindinha foi retirado de um conto chamado "Eterno" de Machado de Assis.

sábado, 30 de outubro de 2010

Ai Que Vontade! - Itamar Assumpção


"Ai que vontade de pegar esta saudade
Enfiar atrás das grades e levar pra Itajaí
Trocar de ares ir e vir nos verdes mares
Despejar nos arredores bulevares de Tatuí."


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Divã - Martha Medeiros

"Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou eu mergulho até encontrar o reino submerso de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora. Não consigo gostar mais ou menos das pessoas, e não quero essa condescendência comigo também."

Divã/ Martha Medeiros - Rio de Janeiro:Objetiva,2002 pág.103

sábado, 23 de outubro de 2010

TERCEIRO DIA - O Livro das Ignorãças



"Nuvens me cruzam de arribação.
Tenho uma dor de concha extraviada.
Uma dor de pedaços que não voltam.
Eu sou muitas pessoas destroçadas."


O Livro das Ignorãças/Manoel de Barros - 16ªed. - Rio de Janeiro:Record,2009 pág.71

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

AFORISMO

"Se você construiu castelos no ar, o seu trabalho não precisa estar
perdido; é lá que eles devem ficar. Agora ponha os alicerces por baixo
deles."
Hery David Thoreau (1817 - 1862)

O mundo em uma frase: uma breve história do aforismo/James Geary - Rio de Janeiro: Objetiva,2007. pág.165

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Código de Acesso - Itamar Assumpção

"O meu código de acesso, é imenso
É nexo, é dor, é flor
É côncavo, é complexo
É denso, é afago, é amplexo
É o ninho do verso de amor"


A afirmação da poesia veio por intermédio de Paulo Leminski que já nos anos 70 dizia que a canção popular era o novo suporte para os versos no Brasil. Leminski disse à Itamar que ele era poeta. Discutiram, claro, mas por fim, há poesia sobrando no discurso irônico, romântico, passional de Itamar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os Deslimites da Palavra


"Ando muito completo de vazios.

Meu órgão de morrer me predomia.

Estou sem eternidades."


O Livro das Ignorãças/Manoel de Barros - 16ªed. - Rio de Janeiro:Record,2009 pág.55

Paulo Freire o mestre de todos nós!

Aos professores e professoras, que as palavras sábias do nosso grande mestre continue a nos inspirar na busca do compromisso de formar pessoas,, em especial, aos nossos alunos da escola pública!

"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do
processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria."

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Aluna - Cecília Meirelles

"Conservo-te o meu sorriso
para, quando me encontrares,
veres que ainda tenho uns ares
de aluna do paraíso…"

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


Des-construindo... por cinelirico no Videolog.tv.

Muito lindo esse vídeo! Dedico ao meu menino Gabriel, que exercita muito bem a "Des - construção" desse mundão que habitamos!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Brasileirão Petrobras | Estrela da Vida Inteira

A caravana do Brasileirão Petrobras foi até o Engenhão, no Rio de Janeiro, sentir a energia da torcida do Botafogo. No vídeo, o torcedor-símbolo, Fabiano Tatu, e seu assistente, Gabriel Godoy, conversam com botafoguenses e ex-jogadores do time e descobrem que a superstição é uma de suas marcas. Conheça um pouco da história do alvinegro da Severiano Ribeiro, que teve Mané Garrincha entre os nomes de sua constelação de craques.

"Minha estrela não é a de Belém:

A que, parada, aguarda o peregrino.

Sem importa-se com qualquer destino

A minha estrela vai seguindo além..." Mário Quintana

Homenagem a estrela solitária e a todos fotafoguenses, em especial, meus dois meninos: Aírton e Gabriel.

domingo, 20 de junho de 2010

AUSÊNCIA - Carlos Drummond de Andrade

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba de mim.

Nova reunião:23 livros de poesia - volume 3/Corpo

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Aprendendo a Viver - Pertencer

"Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça."

Clarice Lispector

domingo, 30 de maio de 2010

"Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama."


Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998. p. 66.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A PLATAFORMA FREIRE ABRE HOJE PARA PRÉ-INSCRIÇÃO PARA 2º SEMESTRE 2010

A partir de hoje, dia 10 até 29 de maio , estará aberta a Plataforma Freire para pré-inscrição aos professores das Redes Públicas, permitida a pré-inscrição do candidato em apenas um curso.
As ofertas do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR, para o segundo semestre de 2010, via Plataforma Freire, serão restritas à Formação Inicial – cursos de Primeira e Segunda Licenciaturas e Formação Pedagógica.
É importante destacar, que a 1ª Licenciatura é destinada aos professores sem formação superior, a 2ª Licenciatura para professores licenciados, mas que atuam fora de sua formação específica e Formação Pedagógica para bacharéis sem licenciatura. Gostaria de chamar a atenção dos professores para, ao se inscrever na Plataforma, observe estes critérios, pois a não observância dos mesmos deixou muitos sem sua pré-inscrição validada, até mesmo porque ,a CAPES não financia cursos de 1ª Licenciatura para quem já é licenciado.
A partir de hoje, dia 10 até 29 de maio , estará aberta a Plataforma Freire para pré-inscrição aos professores das Redes Públicas, permitida a pré-inscrição do candidato em apenas um curso.As ofertas do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica – PARFOR, para o segundo semestre de 2010, via Plataforma Freire, serão restritas à Formação Inicial – cursos de Primeira e Segunda Licenciaturas e Formação Pedagógica.É importante destacar, que a 1ª Licenciatura é destinada aos professores sem formação superior, a 2ª Licenciatura para professores licenciados, mas que atuam fora de sua formação específica e Formação Pedagógica para bacharéis sem licenciatura. Gostaria de chamar a atenção dos professores para, ao se inscrever na Plataforma, observe estes critérios, pois a não observância dos mesmos deixou muitos sem sua pré-inscrição validada, até mesmo porque ,a CAPES não financia cursos de 1ª Licenciatura para quem já é licenciado.
Encerra dia 29 de maio a pré-inscrição nos cursos presenciais e especiais e, do dia 1 a 17 de junho, a Plataforma será reaberta para que os gestores das Redes Estadual e Municipais possam validar as pré-inscrições de sua Rede e, a partir de 19 de julho, inicio do processo seletivo ou matrículas por parte das Instituições de Ensino Superior.

sexta-feira, 30 de abril de 2010


"Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

UMBIGO

O teu umbiguinho,

Doce ninho do meu beijo

Capital do meu desejo,

Em suas dobras misteriosas,

Ouço a voz da natureza

Num eco doce e profundo,

Não só o centro de um corpo,

Também o centro do mundo!

Quintana me surpreendendo sempre! E quando o leio, meu sentimento é que estarei diante do inesperado, do improvável, talvez, do sentimento que ele traduz tão bem: “O poema é uma garrafa de náufrago jogada ao mar. Quem a encontra salva-se a si mesmo.”

- Antologia Poética - Porto Alegre: L&PM,1997 pág.143

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Vivo cercada de pessoas, mas nunca somos nós mesmos na presença de testemunhas."

Divã/ Martha Medeiros - Rio de Janeiro: Objetiva,2002 - pág.10

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Divã

"... Uma vida sem sustos. É o que desejo pra mim. Não estou dizendo uma vida sem decepções, frustrações ou êxtases: sem sustos, apenas. Quero aceitar a potência dos meus sentimentos e não ficar embaraçada diante de reações incomuns. Poder receber uma ventania de pé, mesmo que ela me desloque de onde eu estava. de pé, mesmo com medo. Não mais em posição fetal."
Divã, Martha Medeiros - Ed. Ojetiva, pág 113
Foto: Jil Noberto

domingo, 31 de janeiro de 2010

Poesia Reunida - Martha Medeiros

"Descubro meus vícios assim

cheguei na cabana e pensei

sem tevê eu não fico

sem você eu não vivo"

Poesia Reunida, L&PM pág.14 - as poesias são numeradas e esta é a de número 13.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Só Dez Por Cento é Mentira - Manoel de Barros e a fama

Manoel é mais que um poeta, Manoel tem um relacionamento amoroso com as palavras de pura sedução e as palavras por sua vez, são tão permissivas com ele... Aí acontece um deslumbramento completo: ele e as palavras, as palavras e ele... e nós completamente encantados! Manoel me emociona sempre!

AUTORRETRATO* DO MANOEL DE BARROS

"Aprendo com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É um olhar para o ser menor,

para o insignificante
que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma barata
— cresce de importância para o meu olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das coisinhas do chão
—Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quanto as soberbas coisas ínfimas."


* Nova regra ortográfica, esquisito né?
In:Retrato do artista quando coisa. Rio de Janeiro, Record, 2007. p. 27.

sábado, 28 de novembro de 2009

CARTA DO FORUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA


A carta defende a criação de um novo paradigma mundial, fundamentado não no mercado de trabalho, mas em “laços de cooperação, de interação e de partilha”. Nos cinco dias em que Brasil recebeu o fórum mundial, pessoas de mais de 16 países trocaram experiências e levantaram propostas para construir uma formação profissional capaz de “trazer o resgate e a superação de direitos negados”. Marco do Fórum Mundial, o julgamento da anistia política de Paulo Freire é também citado no documento. No último dia 26, o Estado brasileiro pediu desculpas oficiais pela perseguição política que fez ao educador. À viúva de Freire, foi dada a maior indenização que a lei permite, de 450 salários mínimos. A anistia do educador foi recebida com lágrimas por sua viúva e pelo público de três mil pessoas que lotaram o auditório principal do Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

A carta na íntegra:



Outro mundo não é possível, é necessário!
Leonardo Boff


O FÓRUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA, com a presença de mais de 15 mil pessoas, aconteceu com o formato de celebração da diversidade: grande riqueza para a humanidade.
Em um patamar mais imediato, representa a afirmação da Educação Profissional e Tecnológica como instrumento seguro na luta para o resgate e a superação de direitos negados, como o direito à educação.
No horizonte da utopia, o Fórum revela a vontade política de tantos países em assumir posição em favor do ser humano e da Terra, considerados como um todo indissociável e que precisam ser cuidados, face a ameaça que paira sobre nós todos neste período talvez mais crítico da existência milenar da Terra.
O Fórum Mundial representa, pois, a possibilidade de construção de outro mundo pautado em ações que concorram para que os muros erguidos pelo poder econômico sejam substituídos por laços de cooperação, de integração e de partilha.
Diversidade e Integração são pilares das mudanças propostas, a seiva que nutriu os atores e aqueceu as reflexões e os debates. Foram múltiplos olhares, traduções de caminhos firmados, reconhecendo que, em oposição à lógica neoliberal que traz como defesa o "modelo único", outros mundos são possíveis, e que é desejável tecê-los com a valorização das diferenças e da solidariedade.
Estudantes, professores (as), pesquisadores (as), representantes de governos, sindicatos, associações, pessoas da sociedade civil organizada, enfim trabalhadores e trabalhadoras do Brasil e de países dos cinco continentes presentes neste fórum, reconhecem que no mosaico de suas aspirações, a educação profissional e tecnológica constitui-se em forte e decisivo instrumento de mobilização social. Uma educação concebida não na dicotomia do dentro/fora e do resgate da cidadania sustentada pela exclusão, mas arquitetada na participação política de todos (as) e voltada para a cidadania plena.
O conhecimento que, na "lógica exclusiva", tornou-se propriedade de poucos(as) e instrumento de dominação, deve revelar-se poderoso na luta contra a desigualdade e a injustiça. Neste aspecto, a educação estaria cumprindo o papel central de, ao permitir o acesso à cultura socialmente construída, criar as devidas condições para que todos(as) possam assumir funções de dirigentes, como defendia Gramsci.
O Fórum Mundial da Educação Profissional e Tecnológica integra-se ao Fórum Mundial da Educação e por sua vez ao Fórum Social Mundial e dessa forma, valida a sua Carta de Princípios e a Plataforma Mundial da Educação e proclama em sua agenda:
Ampliar o compromisso do Estado em assumir, cada vez mais, responsabilidade perante a cidadania, especialmente, no que tange à educação pública.
Alargar o alcance da educação, em especial da educação profissional e tecnológica, para abraçar os (as) excluídos (as);
Tecer uma rede mundial de culturas e alternativas de educação, em que a cooperação em favor do ser humano e da vida substitua a concorrência;
 
Reconhecer que, como a sociedade do conhecimento é complexa, é necessário que a educação para o trabalho se fortaleça enquanto educação para a vida e por toda a vida;
Lutar pela valorização da diversidade de mundos, assegurando lugar às capacidades locais, às diversas instâncias de aprendizagem para além da escola, reconhecendo e validando esses saberes;
Promover ações educacionais que reconheça a ciência e a tecnologia como um dos instrumentos fundamentais para mudar o mundo, assegurando ações afirmativas em favor de todos os grupos até então discriminados;
Propor e apoiar iniciativas comprometidas com o resgate da dignidade da pessoa, independente da condição do continente, país, cor, gênero, opção religiosa e política, orientação sexual, dentre outros (as);
Validar e reconhecer os saberes tácitos construídos no trabalho e nas relações da vida;
O Fórum se constituiu num marco histórico ao apontar caminhos para que jovens e adultos (as) que têm ou tiveram sua cidadania negada ou postergada recuperem esse direito. Foi palco da Caravana da Anistia para realizar a Cerimônia de pedido de desculpas do estado brasileiro ao educador Paulo Freire e devolver sua cidadania, no dia 26 de novembro de 2009. Uma dívida social e política que o Brasil acumulou. Assim como, referendou o compromisso por mudar a realidade também daqueles (as) que ainda hoje não sabem ler suas próprias línguas, mas sonham com uma nação mais humana, justa e feliz.
Este Fórum Mundial da Educação Profissional e Tecnológica proporcionou a reinstauração da esperança e da libertação. É mais um passo na construção de uma nova ética centrada na vida, no trabalho e na solidariedade expressa por uma cultura da paz e da sustentabilidade.
Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica (FMEPT)
Brasília, 27 de novembro de 2009

sábado, 14 de novembro de 2009

Parabéns Ana Clara!

Tenho um imenso orgulho do trabalho da minha irmã, principalmente por estar ligado à produção de alimentos numa cultura muito popular que é a do feijão que ela pesquisa desde a sua graduação pela UFPI.



Aluna da UEM descobre gene resistente à antracnose
09 de novembro de 2009
Ana Clara Meirelles, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Genética e Melhoramento da Universidade Estadual
de Maringá, identificou um novo gene de resistência à antracnose. A antracnose é responsável por consideráveis
perdas de produtividade na cultura do feijoeiro, causada pelo fungo Colletotrichum lindemuthianum (Sacc. & Magnus)
Lams.-Scrib. A descoberta permitirá a criação de cultivares mais produtivas e com amplo espectro de resistência.
O trabalho, desenvolvido no Núcleo de Pesquisa Aplicada à Agricultura (Nupagri-UEM), já foi apresentado em dois
importantes eventos da área. O primeiro deles, em agosto, em Guarapari/ES, no Congresso Brasileiro de
Melhoramento de Plantas. O outro, em outubro, no Colorado/EUA, no Bean Improvement Cooperative (BIC) Meeting.
Durante este último, a orientadora da mestranda, a professora Maria Celeste Gonçalves-Vidigal, obteve a aprovação do
Comitê de Genética do BIC para esse novo gene, nomeado como Co-14, presente na cultivar tradicional Pitanga.
No Brasil, até o momento, foram identificadas mais de 54 raças fisiológicas de C. lindemuthianum nas diversas regiões
produtoras de feijoeiro comum. O Paraná é o estado onde tem sido observado maior variabilidade do patógeno, com 40
raças identificadas, seguido por Goiás com 17, Santa Catarina 16 e Rio Grande do Sul com 14.
Para Meirelles, descobrir um novo gene está agregado ao trabalho árduo, além de muito conhecimento e experiência
da equipe. A mestranda explica que a identificação do gene como uma nova fonte de resistência ao C. lindemuthianum
é muito importante para os programas de melhoramento genético nacionais e internacionais do feijoeiro comum.
UEM/ASC
Planeta Universitário
Fonte: Planeta Universitário http://www.planetauniversitario.com/index.php?option=com_content&task=view&id=10288&Itemid=1

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tu Nombre

"Trato de escribir en la oscuridad tu nombre. Trato de escribir que te amo. Trato de decir a oscuras esto. No quiero que nadie se entere, que
nadie me mire a las tres de la mañana paseando de un lado a otro de la
estancia, loco, lleno de ti, enamorado. Iluminado, ciego, lleno de ti,
derramándote. Digo tu nombre con todo el silencio de la noche, lo grita
mi corazón amordazado. Repito tu nombre, vuelvo a decirlo, lo digo
incansablemente, y estoy seguro que habrá de amanecer."

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Quem Ama Inventa - Mário Quintana

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó!meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!

Antologia Poética; Ed. L&PM,1997

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Felicidade Clandestina

"Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada."

In “Felicidade Clandestina”.Rio de Janeiro, Rocco, 1998

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Amor mío, mi amor....

"[...]Te quiero, amor, amor absurdamente,
tontamente, perdido, iluminado,
soñando rosas e inventando estrellas
y diciéndote adiós yendo a tu lado.

Te quiero desde el poste de la esquina,
desde la alfombra de ese cuarto a solas,
en las sábanas tibias de tu cuerpo
donde se duerme un agua de amapolas."

Antologia Poetica

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Clarice Lispector - A Paixão segundo G.H.


"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: -quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo"
Foto: Aírton Porto

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Me Apaixonei pelo Jaime Sabines

Estava no consultório do meu médico esperando, ansiosamente, por umas agulhadas de glicose a 75% nas pernas - Arde tanto!!!!! - quando me deparei com uma revista e um artigo muito interessante e lá pelas tantas, sem mais nem menos, eis que me aparece o nome: Jaime Sabines e um pedacinho de sua essência:
"Espero curarme de ti en unos días.

Debo dejar de fumarte, de beberte,

de pensarte. Es posible. Siguiendo

las prescripciones de la moral em

turno. Me receto tiempo, abstinencia,

soledad"

E aí estava a senha de entrada no universo de Jaime Sabines:

(1926-1999) . Poeta mexicano nascido em Tuxtla Gutiérrez, Chiapas, em 25 de Março de 1926. Filho de um emigrante libanês. Estudou medicina, porém abandonou os estudos e posteriormente estudou letras na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), onde se licenciou na Língua e Literatura Espanhola. Em sua juventude participou de programas de rádio. Foi deputado federal pelo Estado de Chiapas 1976-1979 e deputado no Congresso em 1988 pelo Distrito Federal. Ele era um poeta descrito pelo presidente do México, Ernesto Zedillo, como um dos mais importantes do século XX, morreu em 19 de Março de 1999 no México, Distrito Federal, vítima de câncer aos 72 anos de idade. Seus poemas são viagens para o fundo escuro das emoções, sempre difícil e sempre tocantes.

É com prazer, imenso, que apresento e divido esta paixão a primeira vista com todos vocês.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009


"Dá-me a tua mão desconhecida que a vida está me doendo e eu não sei como falar- a realidade é delicada demais, só a realidade é delicada, minha irrealidade e minha imaginação são mais pesadas."
"A paixão segundo G.H.: romance" - Página 34; de Clarice Lispector - Publicado por Editôra Sabiá, 1964

sábado, 17 de outubro de 2009

TRIBOS DAS MARGENS DO RIO OMO - AFRICA Hans Sylvester








O progresso precisa de energia elétrica.
Há um projeto de construção de uma barragem no Rio Omo para uma usina hidroelétrica que vai gerar energia para Adis Abeba, capital da Etiópia.
O governo daquele país não está dando qualquer importância sobre as consequências desta barragem para estas tribos.
O rio terá uma redução para um quinto do seu tamanho e vai acabar com as planícies alagadas que são essenciais para agricultura tribal deste habitantes.
Esta cultura pura, intacta ,deve está com seus dias contados.
Um povo milenar pode se tornar miserável em questão de dias.
No futuro , talvez tenhamos apenas as fotografias de Hans Sylvester para mostra esta riqueza artística para as gerações que virão.
"A nova geração da Etiópia terá bastante energia elétrica para apreciar tudo isto em um computador"
Texto: Francisco Folco

TRIBOS DAS MARGENS DO RIO OMO - AFRICA Hans Sylvester


Nos limites da Etiópia, séculos longe da modernidade, o fotógrafo Hans Sylvester levou seis anos com um tribo onde homens, mulheres, crianças e anciãos, são gênios de uma arte ancestral.
Aos pés do Rio Omo, no topo de um triângulo formado pela Etiópia-Sudão-Quênia, no grande vale do Rift que se separa devagar da África, uma região vulcânica que disponibiliza uma enorme paleta de ocre vermelho, caolin branco, verde cobre, amarelo brilhante e cinza.
Eles são os mestres da pintura, e seus corpos de dois metros de altura são as telas.
A força de sua arte vem de três palavras: dedos, velocidade e liberdade.
Eles pintam com as mãos abertas, as pontas das unhas, às vezes com gravetos, um galho quebrado. Com movimentos rápidos, vivos, espontâneos, não infantis, esse movimento essencial que os mestres de nossos dias tentam alcançar quando já conseguiram quase tudo ou quando tentam esquecer tudo.
Apenas o desejo de decorar, seduzir, ser bonito, um jogo e prazer permanentes. Para eles basta enfiar os dedos no barro e, em dois minutos, na bunda, no seios, no púbis, nas pernas, nasce nada menos do que um Picasso, um Pollock, um Tápies, a Klee…”
veja mais:

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Canção Para Os Fonemas Da Alegria - Thiago de Melo


Poema de Thiago de Melo dedicado ao educador Paulo Freire. Hoje dedico aos professores e professoras! 15 de Outubro dia do Professor.

Peço licença para algumas coisas.
Primeiramente para desfraudar
este canto de amor publicamente.

Sucede que só sei dizer amor
quando reparto o ramo azul de estrelas
que em meu peito floresce menino.

Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano
a palavra ti-jo-lo,por exemplo,

e poder ver que dentro delas vivem
paredes,aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas

são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis girando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.

Ás vezes nem há casa:é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente,que acaba de nascer:

porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão,cambão e beija flor,

e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre um clarão

que o mundo é seu também,que o seu trabalho
não é a pena que paga por ser homem,
mas um modo de amar- e de ajudar
o mundo a ser melhor.

Peço licença
para avisar que,ao gosto de Jesus,
este homem renascido é um homem novo:

ele atravessa os campos espalhando
a boa-nova, e chama os companheiros
a pelejar no limpo,fronte a fronte,

contra o bicho de quatrocentos anos,
mas cujo fel espesso não resiste
a quarenta horas de total ternura.

Peço licença pra terminar
soletrando a canção da rebeldia
que existe nos fonemas da alegria:

canção de amor geral que eu vi crescer
nos olhos do homem que aprendeu a ler.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009


"você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente"

Caio F. Abreu

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Abaixo-assinado pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo

O Congresso Nacional tem a oportunidade de promover a Segunda Abolição da Escravidão no Brasil. Para isso, é necessário confiscar a terra dos que utilizam trabalho escravo. A expropriação das terras onde for flagrada mão-de-obra escrava é medida justa e necessária e um dos principais meios para eliminar a impunidade.
A Constituição do Brasil afirma que toda propriedade rural deve cumprir função social. Portanto, não pode ser utilizada como instrumento de opressão ou submissão de qualquer pessoa. Porém, o que se vê pelo país, principalmente nas regiões de fronteira agrícola, são casos de fazendeiros que, em suas terras, reduzem trabalhadores à condição de escravos - crime previsto no artigo 149 do Código Penal. Desde 1995, mais de 31 mil pessoas foram libertadas dessas condições pelo governo federal.
Privação de liberdade e usurpação da dignidade caracterizam a escravidão contemporânea. O escravagista é aquele que rouba a dignidade e a liberdade de pessoas. Escravidão é violação dos direitos humanos e deve ser tratada como tal. Se um proprietário de terra a utiliza como instrumento de opressão, deve perdê-la, sem direito a indenização.
Por isso, nós, abaixo-assinados, exigimos a aprovação imediata da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, que prevê o confisco de terras onde trabalho escravo foi encontrado e as destina à reforma agrária. A proposta passou pelo Senado Federal, em 2003, e foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados em 2004. Desde então, está parada, aguardando votação.
É hora de abolir de vez essa vergonha. Neste ano em que a Lei Áurea faz 120 anos, os senhores congressistas podem tornar-se parte da história, garantindo dignidade ao trabalhador brasileiro.
Pela aprovação imediata da PEC 438/2001!



Este abaixo-assinado é de responsabilidade da "Frente Nacional Contra o Trabalho Escravo e pela Aprovação da PEC 438".
Integram o movimento: a Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo no Senado Federal, Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo, Degradante e Infantil na Câmara dos Deputados, Secretaria Especial de Direitos Humano, Ministério Público do Trabalho, Procuradoria Geral do Trabalho, Secretaria de Inspeção do Trabalho - Ministério do Trabalho e Emprego, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Comissão Pastoral da Terra, Organização Internacional do Trabalho, Fórum Nacional da Reforma Agrária, CONTAG - Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura, MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, FETRAF - Federação dos Trabalhadores, CRS - Catholic Relief Services / Brasil, COETRAE/MA - Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo / Maranhão, COETRA/PA - Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo / Pará, COETRAE/TO Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo / Tocantins, CDVDH - Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia/MA, ONG Repórter Brasil, SINAIT - Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, ANAMATRA - Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho, ANPT - Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, ANPR - Associação Nacional dos Procuradores da República, AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros, AJUFE - Associação dos Juízes Federais, OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, ABRA- Associação Brasileira de Reforma Agrária, Movimento Humanos Direitos - MHuD, CEJIL - Centro Pela Justiça e o Direito Internacional, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, ONG Atletas pela Cidadania, SDDH - Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, UGT - União Geral dos Trabalhadores, CSP - Central Sindical de Profissionais, CUT - Central Única dos Trabalhadores, CTB - Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, NCST - Nova Central Sindical de Trabalhadores, CONLUTAS/ ANDES, INTERSINDICAL, CGTB - Central Geral Dos Trabalhadores Do Brasil, CNT - Central Nacional de Trabalhadores, entre outros.