Perco a identidade do mundo em mim e existo sem garantias. Realizo o realizável mas o irrealizável eu vivo e o significado de mim e do mundo e de ti não é evidente. É fantástico, e lido comigo nesses momentos com imensa delicadeza.
Agua Viva, Clarice Lispector. Ed. Rocco, 1998. p.71
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sábado, 9 de novembro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
Fragmentos - Água Viva
"Embora tudo seja tão frágil. Sinto-me tão perdida. Vivo de um segredo que se irradia em raios luminosos que me ofuscariam se eu não os cobrisse com um manto pesado de falsas certezas. Que o Deus me ajude: estou sem guia e é de novo escuro."
Clarice Lispector.
Água Viva, Ed. Rocco - pg.45
domingo, 24 de abril de 2011
Fragmento do livro Água Viva -Clarice Lispector
Água Viva é um dos textos mais intrigantes que Clarice escreveu. Vai ao limite do introspectivo e isso provoca em mim sensações que vão do constrangimento de presenciar alguém emocionalmente desnuda à compaixão - também me identifico com sua dores, seus temores e ilusões.Ontem à noite me entupi de Água Viva e agora, resta-me dividi-la.
"O imprevisto improvisado e fatal me fascina.
Já entrei contigo em comunicação tão grande
que deixei de existir sendo. Você tornou-se um eu. É tão difícil
falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?
Dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes.
Tais momentos são meus segredos. Houve o que se chama de
comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de
felicidade."
sábado, 23 de abril de 2011
Fragmento do livro Água Viva - Clarice Lispector
coisas, elas quase se chocam, há desencontro entre os seres que se
perdem uns aos outros entre palavras que quase não dizem mais
nada. Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse
quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um
encontro brusco face a face com ela nos assustaria,
espaventaria os seus delicados fios de teia de aranha. Nós
somos de soslaio para não comprometer o que pressentimos de
infinitamente outro nessa vida de que te falo."
sábado, 5 de março de 2011
UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES
"Existe um ser que moradentro de mim como se fosse casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que
apesar de inteiramente selvagem — pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe
puseram rédeas nem sela — apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma
doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é
úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e
vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo
daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta
chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura
e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e
vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é
a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o
excesso de doçura do que é isto pela primeira vez".
domingo, 21 de novembro de 2010
Fragmentos de Clarice Lispector - Água Viva
Clarice certa vez disse: Eu não escrevo o que quero, escrevo o que sou. E realmente Clarice deixa vestígios do seu ser nas entrelinhas do que escreve, como neste trecho:"Nasci dura, heróica, solitária e em pé. E encontrei meu contraponto na paisagem sem pitoresco e sem beleza. A feiúra é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual. E desafio a morte. Eu - eu sou a minha própria morte. E ninguém vai mais longe. O que há de bárbaro em mim procura o bárbaro e cruel fora de mim. Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo. Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego. É o mínimo que posso fazer de minha vida: aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite."
Fragmento do livro Água Viva, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998. O lançamento do livro é de 1973 pela Artenova.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Aprendendo a Viver - Pertencer
domingo, 30 de maio de 2010
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Felicidade Clandestina
"Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada."In “Felicidade Clandestina”.Rio de Janeiro, Rocco, 1998
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Clarice Lispector - A Paixão segundo G.H.

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: -quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo"
Foto: Aírton Porto
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Das Vantagens de Ser Bobo - Clarice Lispector (12/09/1970)

"Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os
espertos não conseguem passar por bobos.
- Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham vida.
- Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
- Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita o ser bobo. Ah,quantos perdem por não nascer em Minas!
- Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cimas das casas.
- É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o
bobo é capaz de excesso de amor.
E só o amor faz o bobo."
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Um Fragmento Vale Mais Que Um Milhão de Palavras
"...Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa."
Clarice Lispector
Clarice Lispector
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Um Sopro de Vida - Clarice Lispector
[...]Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída. [...]
Fonte: Um sopro de vida - pulsações. São Paulo: Rocco, 1999.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Mil vezes lindo!
..."E, quando notou que aceitava em pleno o amor,
sua alegria foi tão grande que
o coração lhe batia por todo o corpo,
parecia-lhe que mil corações batiam-lhe
nas profundezas de sua pessoa.
Um direito-de-ser tomou-a,
como se ela tivesse acabado de chorar
ao nascer."(Clarice Lispector)
sua alegria foi tão grande que
o coração lhe batia por todo o corpo,
parecia-lhe que mil corações batiam-lhe
nas profundezas de sua pessoa.
Um direito-de-ser tomou-a,
como se ela tivesse acabado de chorar
ao nascer."(Clarice Lispector)
sábado, 29 de março de 2008
Fragmentos de um planeta chamado Clarice Lispector

"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."
“O que sinto eu não ajo. O que ajo não penso. O que penso não sinto. Do que sei sou ignorante. ...A vida é uma missão secreta, tão secreta é a verdadeira vida que nem à mim, que morro dela, me pode ser confiada a senha, morro sem saber de quê. E o segredo é tal que, somente se a missão chegar a se cumprir é que, por um relance, percebo que nasci incumbida - toda vida é uma missão secreta. Do que sinto não ignoro. Não me entendo e ajo como se me entendesse.”
"Gosto dos venenos mais lentos!Das bebidas mais fortes! Das drogas mais poderosas!Dos cafés mais amargos! Tenho um apetite voraz. E os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí? Eu adoro voar!"
"Algo está sempre por acontecer. O imprevisto improvisado e fatal me fascina.Já entrei contigo em comunicação tão forte que deixei de existir sendo.Você tornou-se um eu.É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas.É tão silencioso.Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois?Dificílimo contar: olhei para você fixamente por uns instantes.Tais momentos são o meu segredo.Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamei isto de estado agudo de felicidade."
"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."
"E se me achar esquisita, respeite também. até eu fui obrigada a me respeitar."
sexta-feira, 21 de março de 2008
A comodidade da alma
Trecho de uma carta de Clarice Lispector a uma amiga. É comovente e bela a lucidez com que ela reconhece o quanto é difícil permanecer fiel a si mesmo e o preço alto que pagamos pela ousadia de buscar o que julgamos ser nosso. Acredito que a convicção inabalável do que nos pertence é nosso salvo-conduto para não desistirmos de nossos sonhos e de nós mesmos e principalmente não nos acomodarmos diante de uma vida sem sentido só porque é menos doloroso. Só pra arrematar esta frase dela diz tudo: "quem sabe de que negras raízes se alimenta a liberdade de um homem!?" A minha eu não sei... Quem sabe?!“1947 Berna - Suíça "Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro... Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu... Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma". Clarice”. Amo Clarice
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